sexta-feira, 16 de março de 2012

Sila Tarot: Devo acreditar no Horóscopo?

Revistas científicas, já publicaram artigos e pesquisas, contra e a favor da astrologia, e, graças a Deus, algumas delas, conseguem ser esclarecedoras e imparciais. Colocando argumentos ‘contra’ e a ‘favor’ da astrologia, podemos notar que os argumentos contrários são quase sempre dogmáticos e preconceituosos, e não científicos, e refletem as visões das mentes estreitas, dos ‘céticos obtusos’ ou seja, de pessoas que não acreditam, não querem saber e emitem julgamentos sem o conhecimento necessário, imaginando-se no pleno direito de desprezar e ignorar aquilo que não sabem.

A minha crença na astrologia e naquilo que ela ensina, provém de minha experiência pessoal, minha comprovação de que ela é sim uma ciência, e como toda as ciências se baseia em dados e na análise desses dados e as suas conclusões é que ela funciona, oferecendo resultados plausíveis e visíveis. As conclusões decorrentes são frutos de estudos comprovados durante milênios e ensinados nos melhores livros e nas melhores escolas pelos astrólogos mais conceituados. Existem bons e menos bons astrólogos, como existem bons e menos bons médicos, e não é por causa disso que deixamos de acreditar na medicina. A burrice é uma das qualidades mais democraticamente repartidas em todas as classes sociais, já que ela nunca falta em nenhuma discussão, sendo tão abundante em assembléias sindicais quanto em disputas de eruditos. Um século de debates em torno da astrologia é a melhor prova disso, não por sua incapacidade de chegar a uma conclusão, mas justamente pela sua insensata esperança de atingi-la por meio de especulações tão confusas e sem nenhuma das precauções lógicas necessárias a qualquer investigação séria. Devemos precisar também que ao falar da astrologia, devemos fazer uma premissa: ela não teria sentido se não acreditássemos na reencarnação. Que bem nos faria conhecer nosso Mapa Natal (ou seja, nosso projecto de vida) se não acreditássemos que podemos actuar nele como seres conscientes e pensantes? Outra premissa é compreender o que significa para um astrólogo observar o Mapa Astral de uma pessoa e ver ali, neste Mapa, todas as características da personalidade, as possibilidades de escolhas, as tendências que irão descrever esse ser único ali representado. Mas, quando alguém pergunta "Astrologia funciona?" (e muitos me fazem essa pergunta) devo lembrar que existem pelo menos cinco perguntas embutidas nessa mesma frase:

1. Existe alguma relação comprovável entre os movimentos dos planetas no céu e os fenômenos da vida terrestre?

2. Se essa relação existe, ela pode chegar a afectar a conduta humana? Eu posso tirar proveito disso?

3. Supondo-se que a resposta à pergunta anterior seja: "sim", teremos outra pergunta: Pode existir uma ciência capaz de identificar e catalogar os efeitos dos movimentos dos vários astros sobre diferentes tipos de pessoas e suas respectivas condutas em situações diversas?

4. Caso isso seja possível, é verdade que uma ciência assim concebida já existe?

5. Supondo-se que essa ciência exista e seja aquilo que correntemente se chama "Astrologia", existe uma só ciência astrológica unificada ou várias ciências ou pseudociências que disputam este nome, embora incapazes de tornarem-se coerentes umas com as outras?

Como vemos as pergunta parece simples, mas as respostas podem ser também bastante complexas. No entanto quando alguém me pergunta A Astrologia funciona preciso responder objetivamente por mais difícil que isso seja. O número assombroso de pessoas que, antes de ter percebido sequer a complexidade do problema, acreditam ter uma resposta definitiva a essa pergunta, mostra somente que os hábitos de pensamento científico ainda estão longe de fazer parte da mentalidade das classes "ditas" cultas, as quais continuam, como qualquer homem de Neanderthal, a pensar por meio de ‘compactados semânticos’, espessos e obscuros como placas de chumbo. Então, uma resposta clara requer pelo menos cinco respostas que devem ser respondidas separadamente e depois articuladas numa teoria geral.

1. Algumas relações entre os movimentos terrestres e celestes existem efetivamente. Muitas delas foram observadas desde sempre, especialmente no período do chamado desenvolvimento agrícola da humanidade: por exemplo, como a influência da Lua nas marés, o crescimento das plantas ou mesmo a fertilização e nascimento de bebês, a menstruação feminina, etc., etc. Outras foram descobertas mais recentemente, como a estranhíssima paridade entre o tempo das conjunções planetárias e o de certas reações químicas com metais em estado coloidal (gelatinoso), notada por Rudolf Steiner e depois confirmada pelo químico dinamarquês Nicholas Kollerstrom. Outros cientistas estudam as influências das energias solares sobre os produtos químicos e outros.

2. Já no século 13, São Tomás de Aquino, na "Suma Contra os Gentios", considerava não somente viável, mas necessário o estudo dos fenômenos que possam de algum modo afetar o organismo humano e, por meio dele, modificar a conduta dos seres humanos. Os sentimentos e as reações das pessoas não nascem do puro espírito, mas dependem de fatores biotipológicos e fisiológicos que podem e devem ser afetados pelas mudanças do ambiente terrestre e cósmico. A esse propósito quando alguém me diz: “Eu conheço uma pessoa que é de Peixes, como eu, mas é absolutamente diferente de mim”, respondo: Você tem na mão um punhado de feijões, os planta em lugares diferentes (vasos, terra fértil, terra árida, areia do deserto, etc.) cuida deles de maneira diferente (dando ou não água, adubando o solo, cuidando para afastar as pragas, etc.) todas as plantas crescerão da mesma forma e darão os mesmos frutos? “Não” será a resposta. Portanto, você poderá, ainda assim, reconhecer que são todos “feijões”! Todos “feijões”, e não pêras, ou maçãs! Assim funciona a astrologia que divide o zodíaco em 12 signos zodiacais e ali busca agrupar as características que são comuns a um grupo, apesar das diversidades de sua manifestação individual.

3. Então podemos dizer que não existe um obstáculo teórico ou absoluto que impeça o estudo científico das relações entre os movimentos dos astros e a vida psicofísica dos seres humanos. O cientista alemão Willi Helpach estudou muito profundamente os efeitos psicológicos de fenômenos geofísicos, e uma extensão de suas investigações poderia desembocar em descobertas interessantes que lembram uma análise do "astrológico". Lembremos também que antigamente a astronomia e a astrologia eram uma coisa só, e que Galileu Galilei fazia Mapas e Horóscopos pessoais. Lembremos que reis, imperadores e chefes de estado sempre tiveram como conselheiros alguns astrólogos. Hitler mandou matar o seu astrólogo de confiança porque previu para ele um fim funesto e a queda do Terceiro Reich!

4. Devemos, no entanto, considerar que se uma ciência assim é possível, seria temerário afirmar que tudo aquilo que se conhece como "astrologia", na imensa variedade de suas escolas, estilos e vertentes, já seja essa ciência e que ela já possua conhecimentos satisfatórios sobre seu campo de estudo ao ponto de ser aceita como disciplina confiável. Mas também seria um erro brutal rejeitar como charlatanismo ou pseudociência um repertório de conhecimentos tradicionais que pode conter muitas verdades. No mínimo, isso corresponderia à atitude daqueles que são contra a pesquisa genética, a clonagem, a introdução de plantas geneticamente modificadas, enfim seria como limitar a pesquisa científica (porque de pesquisa a astrologia é feita) e descartar as suas possibilidades de oferecer uma vida melhor ao ser humano na terra.

5. O que hoje denominamos "astrologia" não nasceu como "ciência", no sentido moderno do termo,
mas como expressão mitopoética - simbólica - de uma impressão de conjunto que algumas civilizações antigas tiveram sobre o cosmos em torno e sobre sua própria existência dentro dele. A "cosmovisão" astrológica - a percepção sintética de alguma harmonia, simultaneidade ou correspondência entre o ambiente celeste e a vida das sociedades e indivíduos – é sem dúvida uma das intuições fundamentais que a espécie humana já teve, e como tal é perfeitamente respeitável, útil e necessária em si mesma, independentemente de seu valor ou falta de valor “científico". As cristalizações imaginárias dessa intuição formam um sistema simbólico cuja presença em todas as culturas e em todas as áreas da criatividade humana - da arquitetura à farmacologia, da culinária às leis e instituições - faz dele um conhecimento indispensável a quem quer que pretenda se aventurar no estudo das "ciências humanas", da filosofia, da religião, etc. (A cosmologia de São Tomás, que citei acima, por exemplo, é impenetrável a quem não tenha os mínimos conhecimentos da Astrologia a que ele se reporta na "Suma Contra os Gentios"). Esse sistema simbólico foi muito utilizado por Carl Jung, que se serviu dele, assim como de todos os arquétipos da mitologia grega, para formular suas teorias.

Um exemplo de correspondência real, efetiva, entre o mito astrológico e a realidade empírica foi observado pelo estatístico francês Michel Gauquelin, quando comprovou num minucioso cotejo de 500 mil horóscopos de nascimento, a perfeita distribuição de três grupos de profissionais (cientistas, militares e políticos) conforme algumas de suas características astrológicas. Isso foi ostentado pelos astrólogos como "prova" da astrologia. Outras comparações estatísticas não deram em nada, e foram alegadas pelos antiastrólogos como "prova" da inocuidade da astrologia.
Essas tomadas de posição são absurdamente prematuras, pois uma cosmovisão mitológica reúne num simbolismo compacto vários planos e níveis de realidade que só podem ser estudados cientificamente depois de separados, catalogados e articulados racionalmente - um trabalho que mal começou.

Isso dito, vamos fazer uma pequena distinção entre Mapa Astral, Previsões ou outras modalidades de interpretação oferecidas pelo astrólogo, e o Horóscopo (diário, semanal ou mensal). O Horóscopo é generalizado, ele deve atender às expectativas de centenas de milhares de pessoas, centenas de feijões, maçãs ou pêras que querem ali se reconhecer e encontrar a solução para seus questionamentos pessoais. Como um astrólogo sério pode se comportar diante desse dilema? Considerar isso uma brincadeira? Menosprezar o leitor? Não, claro que não. (Pelo menos aqueles que eu conheço não o fazem). Um astrólogo sério se baseia em alguns fatores importantes, como o movimento da Lua, os aspectos que a Lua forma no céu com os vários planetas naquele período analisado, os trânsitos planetários, especialmente aqueles dos planetas rápidos, que produzem efeitos mais facilmente detectáveis e os eclipses. Assim, generalizando, pode-se dizer que o horóscopo é confiável se você é aquele “tipo específico” de feijão. Mas pode ser que o outro “tipo de feijão” não consiga se encaixar naquele mesmo efeito descrito. È uma probabilidade entre muitas. Então, meus caros internautas, ao ler nosso horóscopo, vamos manter a devida distância, sabendo conscientemente que não devemos seguir ao pé da letra aquilo que está escrito. Lembrem-se, o astrólogo é também um conselheiro, e age como tal. Ele usa seus conhecimentos e os coloca à disposição de quem deseja obtê-los. Não me culpem se, naquela semana, o meu horóscopo não lhe foi agradável ou foi pessimista ou otimista demais e as possibilidades descritas não se realizaram!

Para finalizar este artigo, quero concluir então que a astrologia não é uma ciência nem uma pseudociência: é um problema científico - e a melhor maneira de não chegar a resolvê-lo nunca mais, é dá-lo por resolvido, passando a emitir a seu respeito opiniões tão infundadas.


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