domingo, 15 de abril de 2012

Sila Tarot: O Alcoolismo


ABUSO E DEPÊNDENCIA QUIMICA DO ALCOOL

O uso de substâncias que modificam o estado psicológico, tem ocorrido em todas as culturas conhecidas desde a Antigüidade mais remota. Costumavam ser associadas a rituais tradicionais nas várias culturas. Um remanescente desse aspecto ritualístico do uso de substâncias mantém-se na igreja católica que segue usando vinho durante sua celebração. O alcoolismo é uma doença que afecta a saúde física, o bem estar emocional e o comportamento do indivíduo. O álcool é classificado como um depressor do sistema nervoso central.


EFEITOS FÍSICOS

Os efeitos físicos ocasionados pelo álcool são muito amplos no ser humano. Diminuição dos reflexos e sedação são comuns. O uso a longo prazo aumenta o risco de doenças como o cancro na língua, boca, esôfago, laringe, fígado e vesícula biliar. Pode ocasionar hepatite, cirrose, gastrite e úlcera. Quando usado em grande quantidade pode ocasionar danos cerebrais irreversíveis. Pode levar à desnutrição. Pode causar problemas cardíacos e de pressão arterial. É uma causa conhecida de malformação congênita, quando usado durante a gestação.




EFEITOS EMOCIONAIS

Os efeitos emocionais e comportamentais são muito frequentes e variáveis conforme a tolerância do indivíduo e a dose ingerida. Perda da inibição, sendo que pessoa intoxicada com álcool pode fazer coisas que normalmente não faria, como por exemplo, conduzir um carro em alta velocidade. Alterações do humor, ocasionando raiva, comportamento violento, depressão e até mesmo suicídio. Pode resultar em perda de memória. Prejuízo na vida familiar do alcoolico ocasionando desentendimento entre o casal, e problemas emocionais a longo prazo nas crianças. Diminuição da produtividade no trabalho.


COMO SE DESENVOLVE O ALCOOLISMO

Um indivíduo pode tornar-se alcoolico devido a um conjunto de factores, incluindo predisposição genética, estrutura psíquica, influências familiares e culturais. Sabe-se que homens e mulheres têm 4 vezes mais probabilidade de ter problemas com álcool, se os seus pais foram alcoolicos.


EFEITOS DO ÁLCOOL

Geralmente está associado a outras condições psiquiátricas como transtornos da personalidade, depressão, transtorno afectivo bipolar (ou psicose maníaco depressiva), transtornos de ansiedade e suicídio.


INTOXICAÇÃO POR ÁLCOOL

Os sintomas dependem da concentração de álcool no sangue. No início do quadro a pessoa pode tornar-se séria e retraída, ou falante e alegre. Podem ocorrer crises de riso ou choro. Em geral ocorre sonolência. Gradativamente o indivíduo começa a perder a coordenação motora, apresentando dificuldade para falar e caminhar. Os reflexos tornam-se mais lentos. Intoxicações graves com concentrações maiores de álcool no sangue podem levar ao coma, depressão respiratória e morte.


INTOXICAÇÃO PATOLÓGICA

Caracteriza-se por intensas mudanças de comportamento e agressividade após a ingestão de uma pequena quantidade de álcool. A duração é limitada, sendo comum o black out (amnésia). Pela violência das manifestações, pode ser necessário até internar o paciente além de medicá-lo.


SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA AO ÁLCOOL

Ocorre em pacientes que fazem uso do álcool em grande quantidade, e por tempo prolongado, e que param de consumir a bebida. Os primeiros sintomas de abstinência iniciam-se 12 horas após parar de beber. Os sintomas mais comum são os tremores, acompanhados de irritabilidade, náuseas, vômitos, ansiedade, suores, pupilas dilatadas e taquicardia. Pode evoluir para uma condição clínica mais grave chamada Delirium por abstinência de álcool (Delirium Tremens).


DELIRIUM TREMENS

É uma emergência médica e, quando não tratado adequadamente, pode levar o paciente a convulsões e morte em até 20% dos casos. Inicia-se geralmente na semana em que o paciente para de beber. O paciente apresenta taquicardia, suores, febre, ansiedade, insônia. Pode apresentar alucinações, como, por exemplo, enxergar insectos ou outros pequenos bichos na parede. O nível de consciência do paciente "flutua" desde um estado de hiperatividade até um de letargia.


COMO O MÉDICO FAZ O DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é feito através de uma anamnese (entrevista) com o paciente e com a sua família e exame físico. Os exames de laboratório não servem para diagnosticar alcoolismo, porém podem dar "pistas" se o paciente faz o uso crônico de álcool, e conseguem dar uma idéia aproximada do grau de lesão de alguns órgãos ocasionado pelos efeitos tóxicos do álcool, como por exemplo no fígado.


COMO SE TRATA

Em primeiro lugar é preciso esclarecer que não existe um tratamento ideal para o alcoolismo. Por isso, os casos devem ser considerados individualmente, e a partir de um bom exame clínico, deve-se indicar o tratamento mais apropriado para cada paciente de acordo com o grau de dependência e do ponto de desenvolvimento da doença em que se encontra a pessoa. É preciso lembrar que as recaídas são comuns nos pacientes alcoolicos. Na grande maioria dos casos, o próprio paciente não consegue perceber o quanto está envolvido com a bebida, tendendo a negar o uso ou mesmo a sua dependência dela. Nestes casos, pode-se começar o tratamento ajudando o paciente a reconhecer seu problema e a necessidade de tratar-se e de tentar abster-se do álcool. A indicação de internação, pelo menos como fase inicial de desintoxicação, costuma ser a regra.

Em ambulatório, os tratamentos disponíveis são a psicoterapia cognitiva comportamental e a psicoterapia de orientação analítica, realizadas individualmente, ou em grupo.

Os grupos de auto-ajuda, como os Alcoólicos Anônimos, têm-se mostrado uma das alternativas mais eficazes no tratamento do paciente alcoolico e no acompanhamento da sua família, o que costuma ser indispensável para o bom andamento do tratamento. Algumas medicações podem ser utilizadas para causar uma reação física violenta, se a pessoa ingerir álcool ou ainda para bloquear a vontade e o prazer de beber.

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