sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sila Tarot: Hinduísmo - Uma busca de libertação...





“Na sociedade hindu, é costume religioso, como primeira coisa a fazer de manhã, banhar-se num rio vizinho, ou em casa, se não houver rio ou riacho nas imediações. As pessoas crêem que isso as santifique. Daí, sem ainda se terem alimentado, vão ao templo local e fazem oferendas de flores e alimentos ao deus local. Alguns lavam o ídolo e decoram-no com pó vermelho e amarelo.

“Quase todas as casas tem um canto, ou mesmo uma cômoda, para a adoração do deus preferido da família. Um deus popular em algumas localidades é Ganesa, o deus-elefante. As pessoas oram a ele em especial por boa sorte, pois ele é conhecido como removedor de obstáculos. Em outros lugares, Críxena, Rama, Xiva, Durga, ou alguma outra deidade talvez tenha prioridade na devoção.” — Tara C., Katmandu, Nepal.

O que é hinduísmo? Trata-se apenas da noção ocidental simplista de venerar animais, banhar-se no Ganges e estar dividido em castas? Ou há algo mais envolvido? A resposta: Há muito mais envolvido. O hinduísmo é uma maneira diferente de entender a vida, para a qual os valores ocidentais são totalmente estranhos. Os ocidentais tendem a ver a vida como linha cronológica de eventos na história. Os hindus vêem a vida como ciclo auto-repetitivo no qual a história humana pouco importa.

Não é fácil definir o hinduísmo, pois não tem credo definido, hierarquia sacerdotal nem órgão governante. Mas não deixa de ter suamis (mestres) e gurus (guias espirituais). Numa definição ampla do hinduísmo, certo livro de história diz que é “o inteiro complexo de crenças e instituições que surgiram desde o tempo em que seus antigos (e mais sagrados) escritos, os Vedas, foram compostos, até agora”. Outro diz: “Pode-se dizer que o hinduísmo é a devoção ou a adoração dos deuses Vixenu, ou Xiva [Siva], ou da deusa Sacti, ou das encarnações, dos aspectos, dos consortes ou da progênie deles.” Isto vale para incluir os cultos de Rama e Críxena (encarnações de Vixenu), Durga, Escanda e Ganesa (respectivamente esposa e filhos de Xiva). Afirma-se que o hinduísmo tem 330 milhões de deuses, não obstante, diz-se que o hinduísmo não é politeísta. Como é isso possível?

O escritor indiano A. Parthasarathy explica: “Os hindus não são politeístas. O hinduísmo fala de um Deus uno . . . Os diferentes deuses e deusas do panteão hindu são mera representação dos poderes e das funções do único Deus supremo no mundo manifestado.”

Os hindus não raro referem-se à sua fé como sanatana darma, que significa lei ou ordem eternas. Hinduísmo é realmente um termo vago que descreve uma hoste de religiões e seitas (sampradaias) que se desenvolveram e floresceram no decorrer dos milênios sob a sombra da complexa mitologia hindu antiga. Essa mitologia é tão intricada que a Nova Enciclopédia Larousse de Mitologia (em inglês) diz: “A mitologia indiana é uma inextricável selva de luxuriante vegetação. Entrando nela, perde-se a luz do dia e todo senso claro de direção.” Não obstante, este capítulo abordará alguns dos aspectos e ensinos dessa fé.

Antigas Raízes do Hinduísmo

Embora o hinduísmo talvez não seja tão difundido como algumas outras religiões principais, não obstante, por volta de 1990, gozava da lealdade de uns 700 milhões de seguidores, ou cerca de 1 em 8 (13%) da população do mundo. Contudo, a maioria destes encontra-se na Índia. Assim, é lógico perguntar: Como e por que o hinduísmo ficou concentrado na Índia?

Alguns historiadores dizem que as raízes do hinduísmo remontam a mais de 3.500 anos, quando uma onda de migração trouxe do noroeste para o vale do Indo um povo ariano de pele clara, agora localizado principalmente no Paquistão e na Índia. De lá eles se espalharam até as planícies do rio Ganges e por toda a Índia. Alguns estudiosos dizem que os conceitos religiosos desses migrantes baseavam-se em antigos ensinos iranianos e babilônicos. Um traço comum a muitas culturas, e também encontrado no hinduísmo, é a lenda sobre um dilúvio. — Veja quadro, página 120.

Mas, que tipo de religião se praticava no vale do Indo antes da chegada dos arianos? Um arqueólogo, Sir John Marshall, fala da “‘Grande Deusa-Mãe’, sendo às vezes representada por estatuetas de figuras femininas grávidas, a maioria nuas, com gargantilha alta e ornato na cabeça. . . . Há também o ‘Deus Macho’, ‘logo identificável como protótipo do histórico Xiva’, sentado com as plantas dos pés tocando uma na outra (uma postura ioga), itifálico (lembrando o culto linga [do falo]), cercado de animais (retratando o epíteto de Xiva, ‘Senhor dos Animais’). Há muitas figuras de pedra do falo e da vulva, . . . que apontam para o culto do linga e da ioni de Xiva e sua consorte”. (Religiões do Mundo — Da História Antiga ao Presente, em inglês) Até hoje Xiva é reverenciado como deus da fertilidade, o deus do falo, ou linga. O touro Nandi o carrega.

O hinduísta Swami Sankarananda discorda da interpretação de Marshall, dizendo que originalmente as pedras veneradas, algumas conhecidas como Xivalinga, eram símbolos “do fogo do céu ou do sol e o fogo do sol, os raios”. (A Cultura Rigvédica do Indo Pré-histórico, em inglês) Ele arrazoa que “o culto do sexo . . . não se originou como culto religioso. É um subproduto. Uma degeneração do original. São as pessoas que rebaixam o ideal, elevado demais para sua compreensão, a seus próprios níveis”. Como contra-argumento à crítica ocidental ao hinduísmo, ele diz que, à base da veneração cristã da cruz, um símbolo fálico pagão, “os cristãos . . . são os devotos de um culto do sexo”.

Com o tempo, as crenças, os mitos e as lendas da Índia foram assentados por escrito, e formam hoje os escritos sagrados do hinduísmo. Embora tais obras sacras sejam bem abrangentes, elas não tentam propor uma unificada doutrina hindu.

Escritos Sagrados do Hinduísmo

Os escritos mais antigos são os Vedas, uma coletânea de orações e hinos conhecidos como Rig-Veda, Sama-Veda, Iajur-Veda e Atarva-Veda. Foram compostos durante vários séculos e completados por volta de 900 AEC. Os Vedas foram mais tarde suplementados por outros escritos, incluindo os Brâmanas e os Upanichades.

Os Brâmanas especificam como realizar os ritos e sacrifícios, tanto domésticos como públicos, e dão muitos detalhes sobre seus profundos significados. Foram escritos a partir de cerca de 300 AEC ou mais tarde. Os Upanichades (literalmente: “assentos perto dum mestre”), também conhecidos como Vedanta e escritos por volta de 600-300 AEC, são tratados que delineiam a razão de todo o pensamento e ação, segundo a filosofia hindu. As doutrinas da samsara (transmigração da alma) e do carma (a crença de que as ações de uma existência anterior são a causa do atual estado da pessoa na vida) foram esboçadas nesses escritos.

Outro conjunto de escritos são os Puranas, ou longas histórias alegóricas contendo muitos mitos hindus sobre deuses e deusas, bem como sobre heróis hindus. Essa extensa biblioteca hindu inclui também as epopéias de Ramaiana e Maa-barata. A primeira é a história do “Senhor Rama . . . o mais glorioso de todos os personagens encontrados em literatura escritural”, segundo A. Parthasarathy. O Ramaiana é um dos mais populares escritos para os hindus, datado de aproximadamente o quarto século AEC. É a história do herói Rama, ou Ramachandra, tido pelos hindus como filho, irmão e marido exemplar. É considerado o sétimo avatar (encarnação) de Vixenu, e seu nome não raro é invocado como saudação.

Segundo Bhaktivedanta Swami Prabhupāda, fundador da Sociedade Internacional para Conscientização Críxena, “Bagavad-gītā [parte do Maa-barata] é a suprema instrução de moralidade. As instruções do Bagavad-gītā constituem o supremo processo de religião e o supremo processo de moralidade. . . . A última instrução do Gītā é a última palavra de toda a moralidade e religião: renda-se a Kṛṣṇa [Críxena].” — BG.

O Bagavat Gita (Cântico Celestial), tido por alguns como “jóia da sabedoria espiritual da Índia”, é uma conversação em campo de batalha “entre o Senhor Śrī Kṛṣṇa [Críxena], a Suprema Personalidade da Divindade, e Arjuna, Seu amigo íntimo e devoto, a quem Ele instrui na ciência da auto-realização”. Contudo, o Bagavat Gita é apenas parte da extensa biblioteca sagrada hindu. Alguns desses escritos (Vedas, Brâmanas e os Upanichades) são encarados como Sruti, ou “foram ouvidos”, e são, portanto, considerados escritos sagrados diretamente revelados. Outros, como as epopéias e os Puranas, são Smriti, ou “lembrados”, e, assim, compostos por autores humanos, embora derivados de revelação. Um exemplo é o Manu Smriti, que esboça as leis religiosas e sociais hindus, além de explicar a base para o sistema de castas. Quais são algumas das crenças que surgiram desses escritos hindus?







Ensinos e Conduta — Ainsa e Varna

No hinduísmo, como também em outras religiões, há certos conceitos básicos que influenciam o pensamento e a conduta cotidiana. Um notável exemplo é o ainsa (sânscrito: ahinsa), ou não-violência, pela qual Mohandas Gandhi (1869-1948), conhecido como o Mahatma, tanto se celebrizou. (Veja quadro, página 113.) À base dessa filosofia, os hindus não devem matar outras criaturas, nem praticar violência contra elas, que é uma das razões pelas quais eles veneram certos animais, como vacas, cobras e macacos. Os mais estritos expoentes desse ensino do ainsa e respeito à vida são os seguidores do jainismo (fundado no sexto século AEC), que andam descalços e usam até mesmo uma máscara para não engolir acidentalmente algum

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