quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sila Tarot: Lendas do distrito de Castelo Branco

Lendas do distrito de Castelo Branco




Lenda do Cativo de Belmonte

Esta é a história de Manuel, um corajoso soldado nascido em Belmonte que combateu com ardor os muçulmanos até que a sorte o fez cativo de piratas mouros. Levado para Argel, aí ficou longos anos como escravo, encarando o seu destino como uma penitência e iludindo as saudades que sentia da terra e da família com as tarefas mais pesadas. Após muitos anos, um mouro perguntou-lhe qual o significado da palavra que Manuel repetia vezes sem conta: esperança. Manuel disse-lhe que significava o desejo de voltar à sua terra e a sua fé na Virgem da Esperança. O mouro disse-lhe que tal fé era impossível e a partir de então apertou a vigilância e tornou-lhe a vida ainda mais dura. Conta a lenda que a Virgem se apiedou de Manuel e na véspera do dia de Páscoa lhe apareceu, anunciando-lhe a libertação. Manuel iria cruzar os mares dentro da arca onde dormia, o que efectivamente aconteceu e os mouros viram a arca elevar-se no ar e desaparecer para o lado do mar. No sábado de Aleluia, os habitantes de Belmonte que se dirigiam à missa, viram espantados uma arca aterrar junto à capela e dentro da arca o Manuel que todos julgavam morto. A alegria foi indescritível e o povo decidiu erguer nesse sítio uma outra capela dedicada a Nossa Senhora da Esperança.


Lenda da Bezerra de Monsanto

Em tempos muito antigos estava Monsanto cercada por tropas romanas já há sete duros e terríveis anos. Os seus habitantes tinham sofrido muito e visto morrer muitos dos seus mas não se rendiam. Ao velho chefe da aldeia apenas lhe restava uma única filha, cujos irmãos mais velhos tinham sido todos mortos pelo inimigo. O velho chefe queria que a sua filha fugisse e se pusesse a salvo com o seu rebanho mas esta recusava heroicamente, dizendo-lhe que tinha jurado resistir aos invasores até à morte. Foi então que o chefe lhe disse que como estavam esgotados todos os víveres, ela deveria sacrificar o seu último rebanho e reparti-lo com os habitantes. Talvez assim conseguissem aguentar mais uma semana... Essa semana passou e os soldados romanos aperceberam-se da trágica situação dos sitiados e exigiram a sua rendição mais uma vez. O velho chefe sentia-se perdido mas a sua filha disse-lhe que não esmorecesse porque tinha guardado uma bezerra gorda e tinha um estratagema que a todos salvaria. O velho chefe chegou ao cimo das muralhas e, com uma segurança que a todos surpreendeu, gritou aos romanos que não se renderiam porque tinham ainda muita comida e como prova disso atirou-lhes a bezerra que tinha sobrado do jantar do dia anterior. E que se quisessem mais era só dizer. O cônsul romano cansado de tantos anos de cerco resolveu retirar para Roma, onde tinham pedido a sua presença. A alegria dos habitantes foi enorme e deu lugar a uma grande festa que se tornou uma tradição que ainda hoje se comemora em Monsanto. Todos os anos, os monsantinos festejam ao som do adufe e lançam das muralhas do castelo cântaros enfeitados que simbolizam a bezerra do cerco de Monsanto.

Sem comentários:

Enviar um comentário

GOSTOU COMENTE!
NÃO GOSTOU, COMENTE NA MESMA!