terça-feira, 17 de abril de 2012

Sila Tarot: Psicopatia - Testemunhos de Vitimas




Testemunhos:


"Depois de descobrir as mentiras que ele me contou, passei algum tempo a perguntar-me como tinha sido tão burra para acreditar naquilo", diz a professora. Há 9 anos, ela conheceu uma pessoa incrível. Ele dizia que, com apenas 27 anos, que era director de uma grande companhia e que, por causa disso, viajava sempre para os EUA e para a Europa. Atencioso e encantador, Cláudio era o genro que todas as sogras queriam ter. "Em 5 meses, nós estávamos quase para casar. Então a mãe dele revelou-me que era tudo mentira, que o filho era doente, enganava as pessoas desde criança e frequentava um tratamento psiquiátrico."

A Ana deixou o Cláudio. Mas nem sempre quem passa pelas mãos de um psicopata "pacífico" tem tempo para reorganizar a mente. Que o digam as pessoas que cruzaram o caminho de Alexandre. Formado em direito, ele resolveu fingir que era médico. E levou esse delírio até às últimas conseqüências: Forjou documentos e conseguiu trabalho em 3 grandes hospitais. Enganou pacientes, chefes e até a mulher, que espera um filho dele e não fazia idéia da fraude. Desmascarado em fevereiro de 2006, Alexandre aleijou pelo menos 23 pessoas e é suspeito da morte de 3.

"Ele usa termos técnicos e fala com toda a naturalidade. Realmente parece ser médico", diz o delegado que o interrogou. "Ele também acha que não está a fazer nada de errado e diz, friamente, que queria fazer o bem aos pacientes." Quando foi preso, Alexandre não escondeu a cabeça como os presos geralmente fazem: deixou-se filmar à vontade.

O diagnóstico de transtorno anti-social depende de um exame detalhado, mas dá para perceber características de um psicopata neste falso médico. É que, além de mentir, ele mostra ausências de culpa.

E esse é o atributo-chave da mente de um psicopata: Mente limpa, ausência de consciência. Nada deixa esses indivíduos com pesos na consciência. Fazer coisas erradas, todos nós fazemos. Mas o que diferencia o psicopata do todos nós é que um erro não vai fazer com que ele sofra. Vai arranjar sempre uma desculpa: Um psicopata que matou uma vitima, disse que a vitima queria morrer.

Os Psicopatas não aprendem com punições. Nada adianta. Nem prender, nem bater, nada.


O meu filho psicopata*

Existia algo errado com o Guilherme. Desde quando era pequeno, 4 anos de idade, a mãe, achava que ele não era uma criança normal. A criança não se apegava emocionalmente a nada, era frio, e não obedecia a ninguém. O problema ficou claro aos 9 anos. Guilherme, nome fictício do rapaz, que hoje tem 28 anos, roubava os colegas da escola, os vizinhos e dinheiro em casa. Também passou a expressar uma enorme capacidade de fazer os outros acreditar no que inventava. Aos 18 anos conseguiu enganar um construtor e comprar um apartamento fiado. "Quando um primo da mesma idade que ele, morreu de repente, ele só disse 'que pena' e continuou o que estava a fazer, conta a mãe. Existia algo de errado no Guilherme.

Em busca de uma solução, a mãe passou 15 anos com o filho entre psicólogos, psiquiatras, pediatras e até benzedeiros. Para todos, ele não passava de um garoto normal, com vontades e birras comuns. "Diziam que era apenas mimos demais, que não soubiam impor-lhe limites." Uma pista para o problema do filho só apareceu em 2004. A mãe leu uma entrevista sobre psicopatia e resolveu procurar psiquiatras especializados no assunto. Então descobriu que o filho sofre da mesma doença de alguns assassinos em série e também de certos políticos, líderes religiosos e executivos. "Apenas confirmei o que já sabia sobre ele", diz a mãe. "Custa muito saber que o meu filho é um psicopata, mas pelo menos agora eu entendo o que se passa com ele."

Guilherme não é um assassino como alguns, mas todos eles sofrem do mesmo problema: uma total ausência de compaixão, nenhuma culpa pelo que fazem ou medo de serem apanhados, além de inteligência acima da média e habilidade para manipular quem está á sua volta.

"Ele mentia muito. Fazia teatro para nos transformar em culpados. Não tinha apego nem responsabilidade. Não evitava falar de coisas que deixassem os outros magoados. Nunca pensou que, se fizesse alguma coisa mal feita, os pais ficariam zangados. Na escola, ele não obedecia a ordens. Se não queria fazer, não tinha ninguém que o convencesse. A inteligência dele até era acima da média, mas numa ele tirava 10 em tudo e no outro tirava 0. Dos 3 aos 25 anos, ele andou comigo por diiversos psicólogos. Foi uma busca insana e intensiva. Começámos a tratá-lo pensando que era hiperactividade, tomou antidepressivos e outros medicamentos. Nada resultou. Pessoas como o meu filho conseguem manipular psicólogos com facilidade. E os pais tornam-se os grandes culpados. Quando descobri o problema, com uma psiquiatra, foi uma luz para mim.

Hoje sei que pessoas como ele inventam um mundo na sua mente. É um sofrimento para os pais que convivem com crianças ou com adultos assim. Hoje, temos que vigiá-lo e e estar sempre presentes. Senão, ele rouba coisas ou arranja falsas histórias. Fica 3 meses em cada emprego e recusa. O problema nunca é com ele, sempre com os outros, que estão sempre errados. Eu ainda rezo para que exista um medicamento no futuro, porque viver assim é muito incomodativo. Se está tudo bem agora, ninguém sabe qual vai ser a reacção dele daqui a 5 minutos. É como uma bomba relógio, uma panela de pressão que vai explodir. Nunca dá para saber exactamente o que ele pensa, nem dá para acreditar em alguma coisa que ele prometa. Às vezes penso que deveriam criar uma sociedade paralela só para sociopatas, mas uns matariam os outros, de certeza. Para não correr o risco de colocar no mundo outra pessoa assim, convencemos o nosso filho a fazer vasectomia. Custa muito saber que seu filho é um psicopata, temos apenas de ir convivendo na esperança de que um dia a medicina evolua para tratar casos assim."

- Depoimento

Sem comentários:

Enviar um comentário

GOSTOU COMENTE!
NÃO GOSTOU, COMENTE NA MESMA!