quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sila Tarot: Gravidez e Sexualidade - Vida a Dois


A sexualidade entre homem e mulher, só da mulher ou do casal, altera-se na gravidez? Essa tem sido uma questão incomodamente presente na vida do casal e, não menos incómoda.
 
A intenção aqui é refletir sobre as alterações da sexualidade possíveis de acompanhar a gravidez e não como se poderia pensar, avaliar as noções de certo-errado, justo-injusto, ideal-possível, enfim, não há aqui uma preocupação ética, senão apenas psicológica.
 
Procuramos pensar naquilo que pode acontecer de facto e não naquilo que, romanticamente, deveria acontecer.
 
Para o casal a gravidez é um período de adaptações. São adaptações em todos os sentidos; adaptações físicas, emocionais, existenciais e também sexuais.
 
É importante ressaltar que a necessidade de adaptação não afecta só a mulher, nesta fase, mas também o homem.
 
Na verdade, não há nenhum impedimento absoluto ou uma condição inexorável para que a vida sexual continue satisfatória.

Também seria demagogia afirmar que a sexualidade do casal continua, na gravidez, como se nada houvesse de diferente.
 
A partir do momento em que a mulher entra no período gestacional, iniciará um processo de desenvolvimento que conduzirá a várias transformações orgânicas e expressivas mudanças na trilogia bio-psíco-social.
 
Portanto, no mínimo, não será sensato negar as contundentes alterações físicas que acontecem na mulher, tais como, o crescimento abdominal, a sensibilidade mamária, a ocorrência nem sempre oportuna de náuseas e vômitos, a maior lubrificação vaginal, entre outros.
 
Todas estas são alterações orgânicas que as mulheres experimentam durante a gestação e que podem influir fortemente na vida sexual do casal.
 
E não se trata de uma interferência por carência de afecto ou de sentimentos, mas por gerarem desconforto.

 
No início da gravidez, muitas gestantes manifestam sintomas como náuseas, vômitos, hipersonia e o grande temor do aborto, por acreditarem que o feto ainda não está suficientemente aderido ao útero, e isso compromete bastante o desejo sexual.
 
Algumas mulheres, libertam sua sexualidade mais espontaneamente quando estão grávidas, por vezes experimentando pela primeira vez o orgasmo pleno.
 
Alguns homens chegam a estranhar o comportamento de suas mulheres, pois não condiz com a imagem idealizada da figura materna, “culturalmente assexuada e pura”.

Passam, assim, a evitar o contacto físico como se este fosse pecado e, portanto, inadequado para a situação presente.

Do ponto de vista emocional, a mulher pode não se sentir atraente ou feminina, diminuindo com isto sua auto-estima.

Pode
ser conflitoso estar num momento considerado divino culturalmente e, ao mesmo tempo, não estar a gostar de si mesma.
 
Os homens, por outro lado, não têm alterações orgânicas, mas podem ser afectados por questões emocionais, tais como a ansiedade em relação ao parto, à criação do filho, à responsabilidade de ser pai etc.
 
Além disso, problemas em torno da gravidez também podem influenciar no bem estar sexual do casal.


Essas questões dizem respeito ao planeamento da gravidez (pior, no caso desta ter sido indesejável), da qualidade prévia da relação entre o casal, da crença e medo de magoar o bebé durante o acto sexual enfim, são circunstâncias que podem propiciar alguma precariedade na vida sexual.
 
A sexualidade da mulher na gravidez dependerá, entre outros motivos, de como ela se percebe, se avalia e se valoriza nessa fase.
 
Enfim, dependerá grandemente de sua auto-estima.

Sentir-se amada e atraente, além da realidade dos factos de estar a ser, de facto amada e de ser, de facto atraente, além dos esforços de seu companheiro de deixar claro o seu sentimento por ela, depende decisivamente da sua auto-estima e, consequentemente, de sua afectividade.

Pelo lado prático, outro factor que deve ser levado em conta, é a posição com que o coito é realizado.

Para que se torne prazeroso, é necessário encontrar o modo e a posição mais comoda e agradável.

Cabe à mulher, procurar essa posição, pois é ela que está com o corpo modificado. Muitas vezes, o tamanho avantajado da barriga na gravidez avançada, torna mais difícil ainda esta ou aquela posição. Factores que influenciam o desempenho sexual do homem.

Do ponto de vista masculino, o factor que mais diretamente influencia na performance sexual é, de facto, a questão estética da mulher.

Dependendo das preferências do companheiro, as alterações na estética corporal da mulher servem como desestímulo à sua libido.

Muito embora por amor e respeito algo possa ser dito em sentido contrário, na realidade a perda de atractivos sexuais da mulher, que passa a não corresponder ao modelo cultural “sexualmente atraente”, é um importante agravante sobre o desempenho sexual masculino.


A partir do segundo trimestre de gestação também se dá um aumento do edema da vulva e da vagina, associada à intensificação da lubrificação vaginal, feita às custas de maior congestão pélvica. A partir do terceiro trimestre de gestação, o próprio volume abdominal maior pode influenciar negativamente no desempenho masculino. A perda do colostro (pré-leite), algumas vezes em grandes quantidades também pode interferir na excitabilidade e no orgasmo, deixando o casal mais confuso e receoso. É preciso calma e acima de tudo muito amor e compreensão, para ultrapassarem esta nova fase da forma mais serena possível.

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