terça-feira, 15 de maio de 2012

Sila Tarot: Os Filhos no Divórcio!

 
O Divórcio dos pais transforma completamente a vida dos seus filhos, e esta transformação procede-se com uma grande dor: perdem a intimidade quotidiana com um dos seus pais, altera-se o conceito de família e sentem-se basicamente abandonados. Os impactos podem ser muito diferentes, segundo o sexo e a idade dos filhos no momento em que se dá a separação, porém também existe elementos em comum na experiência de todas as crianças que tenham atravessado esta crise.

A experiência do divórcio traz novos elementos à identidade da criança, modificando-a. Os filhos de famílias divorciadas partilham de atitudes, sentimentos e ilusões, e consideram-se membros de um grupo especial. O facto de serem filhos de pais divorciados faz com que padeçam de uma identidade fixa, que define a sua personalidade e afecta profundamente as suas relações presentes e futuras. Sentem que o processo de crescimento é mais difícil, e de facto o é, porque o divórcio provoca traumas. Ao longo dos anos, vivem perante sentimentos de perda, tristeza e ansiedade, sentem-se menos protegidos, menos cuidados e consolados.

Compartilham de valores mais conservadores dos seus pais respeitantes ao matrimónio: desejam um matrimónio estável, um amor romântico, duradouro e leal, mas com a sensação de que há poucas probabilidades de acontecer. Crêem que é necessário evitar matrimónios impulsivos, e que a convivência experimental é boa para uma relação. Anseiam estabelecer relações duradouras e preocupam-se não o conseguir.

 
A primeira reacção dos filhos frente ao divórcio é o temor, uma profunda sensação de perda e tanto podem chorar por um pai afectuoso como por um pai indiferente. Também se preocupam com o bem-estar dos seus pais, estranham que o pai/mãe se tenha ido embora e temem não voltar a vê-lo. A qualquer idade sentem-se recalcados. Quando um pai abandona o outro, as crianças interpretam-no como se tivessem elas mesmas a serem abandonadas. Sentem que a sua opinião não conta e sentem impotência frente a sua incapacidade para interferir num acontecimento tão importante nas suas vidas.


Algumas condutas a seguir pelos pais divorciados

Todos estes problemas anteriormente descritos podem ser evitados se os pais adoptarem uma atitude adequada, no momento da crise e depois dela. Alguns pontos a seguir:
 
  • Ajudar os seus filhos quando a separação está iminente, preparando-os para o que está para vir. Ser cuidadoso com o que lhes diz e como o diz, porque tudo o que lhes dirá será recordado por muito tempo. Não se pode evitar que sofram mas existem muitas formas de diminuir esse sofrimento;
  • Comunicarem juntos (pai e mãe) a decisão do divórcio. Desta forma, transmitem uma decisão conjunta, madura e racional;
  • Falar com todos os filhos ao mesmo tempo porque podem ajudar-se entre si. Se existirem diferenças de idades muito acentuadas, num segundo momento poderá falar com cada um em separado, adequando o discurso a cada idade;
  • Devem inteirar-se que a decisão de divórcio está firmemente tomada e com antecipação, revelar o dia em que o pai/mãe se vai mudar;
  • Explicar a situação de forma clara. Os filhos precisam de entender que se trata de um divórcio. No caso de adolescentes, convêm explicar-lhes todo o processo legal e as decisões que será necessário tomar;
  • Explicar-lhes as razões do divórcio, sem entrar em detalhes como infidelidades e problemas sexuais;
  • Exprimir a tristeza que gera o divórcio dos pais, porque isto lhes permite exprimir os seus próprios sentimentos;
  • Dizer-lhes que eles não são responsáveis pela separação e que não está em suas mãos recompor a relação;
  • Dizer-lhes que sabem que vão sofrer e que lamentam causar-lhes este sofrimento;
  • Dizer-lhes que foram um dos maiores prazeres do matrimónio e que no passado existiu muito amor nele;
  • Antecipar situações previsíveis dentro do possível;
  • Dizer-lhes que devem ser valentes e que esta crise deverá ser ultrapassada por toda a família;
  • Deixá-los participar com opiniões sobre as decisões a tomar, no entanto não serão eles a decidir;
  • Dizer-lhes que todos deverão esforçar-se para manter a importante relação entre pais e filhos;
  • Dizer-lhes que têm o direito de amar ambos os pais da mesma forma, reforçando que o divórcio é um problema entre adultos.


Para terminar, pode-se concluir que são dois os objectivos que os adultos deverão alcançar após um divórcio. O primeiro é a reconstrução das suas vidas pessoais, e o segundo ajudar os filhos a superar o fracasso do matrimónio e dos anos posteriores ao divórcio. Os filhos também deverão alcançar dois objectivos. Em primeiro lugar, devem reconhecer a realidade da separação e aceitá-la, para poder continuar a crescer familiar e individualmente. Em segundo lugar, acreditar no amor e aceitar a ideia positiva de que podem amar e ser amados.
 
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