quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sila Tarot: Comportamentos Destrutivos - Como Evitar?




Um homem abandona a família, mas foi exactamente isso que ele prometeu não fazer, pois o seu pai tinha feito a mesma coisa e ele sabia o quanto era doloroso para todos.


Mulher troca de namorado pois foi traída muitas vezes, mas cada vez que tenta encontra outro igualzinho ao anterior, com os mesmos defeitos.


Homem tem um chefe difícil de agradar, mas será esse chefe é igualzinho ao seu pai?


Coincidência ou auto-sabotagem? São comportamentos repetitivos.


Auto- sabotagem é a tendência a repetir atitudes destrutivas.






 

Comportamento repetitivos

A nossa vida é feita de comportamentos repetitivos, por exemplo, escova os dentes todos os dias, mas se alguém lhe perguntar quantas vezes os escovou hoje talvez tenha de pensar se os escovou mesmo.


Lembra-se de ter fechado a porta hoje? Não? Porque é que não se lembra? Porque esse é um comportamento repetitivo. É automático.


Estes comportamentos são inofensivos, mas temos de observar os comportamentos repetitivos que nos destroem pois não os percebemos da mesma forma que não percebemos, se fechámos a porta.




Observe o exemplo da mulher que só tem namorados que a traiem. Será que 100% dos homens traem, ou 100% dos homens que ela permite que entrem na vida dela a traiem. Porque fará ela isso? Ela QUER ter homens que a traiem? Claro que não, pois o sofrimento é insuportável. Então porque faz ela isso? Resposta: Auto-sabotagem.






Como nos auto-sabotamos?


Nós automatizamos-nos . Quando trocamos as mudanças do carro, ao conduzir não pensamos: “Agora está na hora de colocar o pé na embreagem e trocar da segunda para terceira”? Não, nós simplesmente trocamos. Porquê? Porque aprendemos a automatizar os comportamentos. O problema é quando automatizamos coisas que nos fazem mal. O problema é quando explodimos e depois vemos que estamos a acabar com os relacionamentos por explodirmos tanto. “Mas eu não consigo parar de explodir. Porque faço isso?” Porque se auto-boicota. Você se auto-sabota. Destrói a própria vida e não percebe qual é a sua responsabilidade nisso.


Algumas repetições destroiem a vida da pessoa e deixam essa pessoa muito frustrada.
Ex: Você já comeu meio ovo da páscoa, já não está a gostar de comer tanto chocolate, mas continua até se empanturrar e se arrepender de ter comido tanto. Isso é auto-sabotagem.


Veja o exemplo do homem que trai a sua esposa com pessoas que nem são tão importantes para ele. Mas continua nesses relacionamentos mesmo sabendo do risco de acabar com o seu casamento, e pode acabar por nada, por alguém que significa muito pouco. Porque ele continua com esse ciclo vicioso? Porque faz ele coisas que destroem a sua própria vida?


Porque a mulher que tinha um namorado agressivo, troca de namorado e encontra outro também agressivo? Mas que coincidência...O seu pai era agressivo? Será coincidência?


Repetimos padrões da infância mesmo que esses padrões estejam a prejudicar a nossa vida.



Como mudar?


Conscientizar-se sobre o ciclo de repetição é o primeiro passo para o conseguir superar.


Perceber que está a trocar de mulher, mas de que todas as vezes, está com o mesmo tipo de mulher que não lhe agrada.


Perceber que troca de namorado , mas está sempre com a mesma pessoa sem atitude (que por coincidência é o seu pai marcado).


É o comerciante que está sempre a arriscar um novo negócio, que nunca resulta, mas quando se apercebe está a fazer a mesma coisa.


Um amigo que continuamente lhe pede dinheiro emprestado e que nunca devolve, e ainda assim continua a emprestar? Porque faz isso? Por pura auto-sabotagem.


São vidas infernizadas pela compulsão da repetição. Uma necessidade inconsciente de repetir um comportamento mesmo que destrua a felicidade ou a vida de alguém.


A pessoa que não consegue gerir o seu tempo, que sabe fazer as coisas mas, simplesmente não consegue colocar a vida em ordem. Observe bem e vai ver que essa pessoa teve um pai que cobrava e cobrava, que queria que ela fosse a mais competente do mundo.

Ou seja, essa pessoa continua a discutir com o pai, que talvez até já tenha morrido, hoje. Como esse pai vai influenciá-la depois de partir? Acredite em mim, ele influencia. Quem influencia não é o pai, mas a figura interna do pai.




É possível romper esse ciclo?

A resposta é SIM, mas concordo que não é fácil. Pois se a pessoa passou uma vida construindo uma percepção errada, terá medo de mudar, de contestar o que sempre foi uma "lei".


Tenho como exemplo alguém que ficou totalmente perturbada depois de ver na TV toda a reportagem da queda de um avião. Ela não costuma viajar de avião, não conhecia ninguém que estivese naquele avião, e nem as pessoas que fazem parte do seu convívio costumam viajar de avião. Mas porque ficou então, tão chocada, abalada, sem sequer conseguir sair de casa depois daquela noticia? O entendimento disso, veio quando percebeu que esse mesmo sentimento de terror lhe aparecia quando tinha sido abusada sexualmente na infância. Era o mesmo desespero, o mesmo desamparo. Não era à toa que a queda do avião tinha mexido tanto com ela. É o mesmo ciclo de repetição que agora funciona como auto-sabotagem. São emoções anteriores, que se reflectem nos nossos comportamentos.


As pessoas enterram as situações traumáticas das suas vidas, mas não significa que elas estejam mortas. Elas continuam como se fosse uma marca invisivel. Um adulto já foi uma criança indefesa, que se sentia frágil, mas agora mesmo em adulto, continua emocionalmente frágil, carregando dentro de si essa criança assustada. As crianças não conseguem controlar as suas vidas, e continuam com a sensação, ainda hoje, de não poderem controlar a sua vida.


É por isso que é muito difícil identificar esse conteúdo interno, porque a pessoa passa anos a tentar ocultar isso tudo, não só dos outros, mas ocultando de si mesmo. Mas se este conteúdo está escondido, saiba que é por uma boa razão, a auto-defesa.


Identificar quais são os entraves de sua mente é só uma parte do processo. A parte mais importante e que vai realizar as mudanças no seu comportamento é quando consegue desenvolver uma nova forma de ver o mundo. O acompanhamento de um psicólogo, é essencial, é a pessoa que o ajuda neste processo. Para ensinar estratégias que promoverão as mudanças que tanto quer na sua vida.


Hoje em dia, tanto a Terapia Cognitiva Comportamental como a psicanálise mudaram a forma de terapia. O psicólogo é muito mais participativo e vive com o paciente as transformações.

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