sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sila Tarot: Dr. Sousa Martins – De médico a Santo!



Dr. Sousa Martins de seu nome de baptismo José Tomás de Sousa Martins, nasceu em Alhandra a 7 de Março de 1843, vindo a falecer em Agosto de 1897.

Desde cedo sua vida não foi fácil, e bastante jovem foi viver para Lisboa. Empregou-se como marçano na Farmácia Ultramarina, propriedade de um tio seu, sita na Rua de S. Paulo, em Lisboa, e que ainda hoje existe. Tornou-se exímio manipulador de produtos naturais e de praticante de farmácia chegou a farmacêutico. Após o curso de Farmácia, tirou o de Medicina, e em poucos anos tornou-se uma das figuras mais marcantes do século XIX.

Foi professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa. Grande professor, tanto pelo seu saber, quanto pelo lado humano que transmitia, pelos seus alunos era muito estimado e mesmo venerado. A estes ensinou que: “Quando entrardes de noite num hospital e ouvirdes algum doente gemer, aproximai-vos do seu leito, vede o que precisa o pobre enfermo e, se não tiverdes mais nada para lhe dar, dai-lhe um sorriso.” Mesmo depois da sua morte, as suas lições, coligidas, eram referência obrigatória.

Foi um dos médicos mais prestigiados de Portugal, tendo ficado famoso pela sua luta contra a tuberculose.

Cientista prestigiado, desfrutou de projecção internacional pelo estudo da tuberculose e das doenças nervosas.

Com o seu diagnóstico certeiro e célere, em cada mês Sousa Martins consegue atender um rancho alargado de pacientes.
 

A sua bondade, que não pára de jorrar, incita os doentes a guindá-lo a santo milagreiro. Até lhe dirigem orações.

Afirmou-se “progressista e ‘maçon’”. José Tomás de Sousa Martins debruça-se, fundamentalmente, sobre os pobres e desprotegidos, sobre os espezinhados nesta vida, porque ele apesar de se dizer maçon, acredita que há outras para além daquela que ora estamos a percorrer.

Para ele, a alma, o espírito, será portanto um pássaro sempre em busca de um ninho mais acolhedor. Os coitados que estão para ali à espera do fim, mais tarde irão reencarnar, umbral distante mas que um dia será alcançado.

Solteiro, dedicou-se à medicina, física, química, botânica, zoologia, cirurgia, literatura, poesia, filosofia, história e oratória.

Defendeu a construção de sanatórios, afirmando que a zona da serra da Estrela era propícia ao tratamento da tuberculose. Por isso, o primeiro sanatório construído nas Penhas da Saúde, por iniciativa de Alfredo César Henriques se chamou Sanatório Sousa Martins.
 
 
A luta contra a tuberculose expunha-o à doença, nos contactos diários e directos com os doentes terminais. Detinha-se junto deles, a amenizar-lhes o medo. Muitos morreram de mãos entre as suas, alguns viram-lhe auras estranhas sobre os cabelos.

O Dr. Sousa Martins foi atacado pela tuberculose. Alguns dizem que querendo evitar o seu próprio sofrimento, suicidou-se em 1897. Outros dizem que faleceu de morte natural, tendo como prova disso a sua certidão de óbito. Os seus restos mortais repousam no cemitério de Alhandra.

Reputado médico e cientista, Sousa Martins chegou a todas as camadas da sociedade. Após a sua morte, tanto o meio académico, quanto a população tornou-o numa figura muito venerada. Tendo sido construído o Museu Sousa Martins na sua terra natal.


Dr. Sousa Martins não é apenas um nome de médico. Muitos consideram-no um santo e dizem que opera milagres. Amigo dos pobres, desamparados e doentes, o Dr. Sousa Martins deu origem a um extraordinário culto em Portugal.

Em Lisboa ou na Guarda, as suas estátuas são visitadas diariamente por devotos que ali depositam flores, objectos em cera e velas. A ele são pedidas graças, a ele são pedidas inúmeras intervenções divinas. No Dr. Sousa Martins são depositadas as esperanças dos que sofrem.
 
 

Alguns reconhecimentos da época:

Ao tomar conhecimento da morte do Dr. Sousa Martins o rei D. Carlos disse: “Ao deixar o mundo, chorou-o toda a terra que o conheceu. Foi uma perda irreparável, uma perda nacional, apagando-se com ele a maior luz do meu reino”.

Acerca do Dr. Sousa Martins, o prémio nobel Egas Moniz disse: “Notável professor que deixou, atrás de si, um nome aureolado de prelector admirável, de clínico, de orador consagrado, sempre alerta nas justas da Sociedade das Ciências Médicas.”

O escritor Guerra Junqueiro definiu-o como um “Eminente homem que radiou amor, encanto, esperança, alegria e generosidade. Foi amigo, carinhoso e dedicado dos pobres e dos poetas. A sua mão guiou. O seu coração perdoou. A sua boca ensinou. Honrou a medicina portuguesa e todos os que nele procuraram cura para os seus males”.
 
Curiosidades:
 
# A farmácia Ultramarina, situada na Rua de S. Paulo, em Lisboa, ainda existe nos dias de hoje.
 
# Foi elaborada uma Estátua em sua Homenagem:
Em Lisboa, no Campo de Santana (mais tarde chamado Campo dos Mártires da Pátria) cercada de montes de flores, de velas acesas e de placas de mármore gravadas com agradecimentos e homenagens (ex-votos), frente à Faculdade de Medicina está implantada a estátua do Dr. Sousa Martins, obra do escultor Costa Mota. Passado mais de um século, o médico Sousa Martins continua a cativar devotos? O culto popular ainda hoje lhe é prestado em Lisboa (Campo de Santana), em Alhandra e na cidade da Guarda.
# Em 1897 Sousa Martins participa na Conferência Sanitária de Veneza, onde é eleito vice-presidente, Durante os trabalhos sente-se mal, mordido já está pela tuberculose, contágio dos seus pacientes,
Quando chega a Lisboa logo trata de partir para a Serra da Estrela, em busca de alívio,
Ao sentir-se melhor regressa a Alhandra e ali instala-se na quinta de uns amigos.
Diagnóstico: tuberculose e lesão cardíaca!
Diz para um colega:
- A morte não é mais forte do que eu,
E sussurra para outro:
- Um médico ameaçado de morte por duas doenças, ambas fatais, deve eliminar-se por si mesmo.
É o que ele faz em 18 de Agosto de 1897, injecta-se, overdose de morfina. 54 anos, vida curta, porém ardente.

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