segunda-feira, 11 de março de 2013

Sila Tarot: O Verdadeiro Amor!



O verdadeiro amor nunca morre. Esta é a definição mais completa do que seja o amor. Ele persiste mesmo quando o tempo passa e os anos correm juntamente com o cair da areia da ampulheta da vida. Um amor jamais desiste e, sendo fecundo, às vezes permanecerá calado... E como! O amor passa muito tempo a contemplar o objeto da sua devoção sem ao menos uma palavra dizer. Geralmente, o mais puro e verdadeiro nasce ainda nos dias da infância e nunca acaba, pois, mesmo no mundo além, ele ainda assim é imortal.

Aquele que ama jamais se deixa mover pela aparência. Os seus olhos não se contentam com o corpo, mas se movem em direção ao espírito. O amor verdadeiro é aquele que tem saudades. Sim, muitas saudades! Aliás, é aquele cuja distância não altera a saudade, pois mesmo separados os amantes por alguns poucos metros ou por milhares de quilómetros, o anseio ainda é o mesmo e igual em todas as situações. Aliás, é o amor que não possui o mínimo receio, pois tem confiança de sobra no seu par.



Aquele que ama de verdade é inundado por total respeito, pois, devotado, fica mudo diante da possibilidade do seu par ser feliz nos braços de outro, mesmo que este não sinta o mesmo. Assim, nunca poderá ir ao encontro do ser amado se ainda continuar, mesmo que oficialmente, ao lado de outro. Assim, o amor faz doer o coração, mas nunca, de forma alguma, pode revoltar-se por meio da força. A verdadeira e mais potente força do amor são os poemas, as flores, os murmúrios e os leves toques, pois se ultrapassarem esta barreira criando fúria, já não é amor...

O amor é tão paciente que é capaz de sentar-se solitário e de se contentar com a leve e doce lembrança dos tempos passados. O verdadeiro amante nunca é egoísta. Ele não quer a pessoa em si, como se fosse uma mera propriedade ou possessão; ele anseia pelo amor. O amor tem leve ciúme, mas não como se fosse “uma coisa” que pode ser objeto de ganância alheia; não, ele tem ciúmes do sentimento.

O verdadeiro amor faz o amante notar a intenção de cada mínima ação do seu enamorado. Sim. Cada andar, cada palavra dita ao ar, cada movimento e cada nuance do tom de voz são logo captados e devidamente interpretados pelo coração daquele que suspira calado. Tudo nota ao ponto de perceber, até mesmo, a menor e mais imperceptível variação na cor dos cabelos, ou um brilho menor nos olhos acompanhado de um espírito mais quebrantado, denunciando o choro...


Aliás, chora por toda vida perdida. Cheio de bondade e fulgurando em compaixão, o amor jamais deixa de se comover ante o fim da existência, seja de um ser humano ou de um simples animal. Quem tem a rara capacidade de se emocionar com a perda de um animalzinho, tem a virtude do amor dentro de si, pois não reconhece as dores apenas nas pessoas, indo para mais além das paredes engessadas da existência... Quem chora ama.

O verdadeiro amor não é impedido por “medidas do amadurecimento”, onde a profissão, o sucesso e os demais apetrechos da vida material vêm em primeiro lugar. A única oposição que ele encontra é ouvir um “não”, mesmo que não verbalizado, daquele a quem devota a sua vida. O amor é, por isso, cheio de liberdade, cuja ação só pode ser impedida por uma das partes...

Assim, o amor contenta-se com um inocente passeio no meio das flores do campo, ou apenas com a presença do ser amado no mesmo recinto, mesmo querendo afoga-lo aos beijos... Ele contenta-se com um leve sorriso ou olhar, que para ele já vale todos os tesouros do universo. O amor é tão profundo que parece nadar para o interior dos sentimentos como se mergulhasse por entre as águas misteriosas de um bravio oceano a meio da noite. O amor, tão sensível, faz-nos entender o outro; entender psicológica, emocional e espiritualmente. Ele não conta idade, posição ou quaisquer tipo de status para desabrochar. Apenas necessita de um coração que, feito campo de terra fértil, possa ser semeado, arado e, com o tempo, sendo regado, dê bons e apetitosos frutos que serão deliciados por quem os proveu.


O amor é a “beleza plena”, ou seja, a formosura no seu ápice e plenitude, pois tudo torna encantador, fazendo do dia mais frio e nebulado uma estação de sol e flores na alma que, mesmo com o mudar da temperatura terrena ou o esfriar do dia, ainda mantêm quente o coração. O amor verdadeiro torna o mundo melhor, devolvendo calor e humanidade, mesmo àqueles que já há muito se esqueceram do que é “sentir”. É formosa!

Pode-se dizer que o amor verdadeiro é uma caixinha de surpresas... Não sabemos ou temos idéia do que nos reserva o futuro e, ainda assim, temos ao menos a certeza de que, a despeito de tudo o que possa acontecer, o amor será, ao menos, o único sentimento que nos alimentará o ser e que permanecerá como fortaleza intrespassável.

O amor é tão forte que é capaz de transformar os homens. Torna chatos ranzinzas em românticos poetas e os mais baixos pecadores em santos. E vejam só: faz até a Bela amar a Fera! O amor é quieto e ao mesmo tempo barulhento. Consegue guardar calado a verdade do que sente na alma e, ainda assim, quer gritar “Eureka! Eureka!” pelas ruas, acompanhado de sinos repicando e fogos de artifício coloridos...


Às vezes, o amor faz-nos ficar á espera do momento certo para dizer o que se sente... Mas, este mesmo amor ainda assim pode dar medo ou em nós colocar temor; temor de não ser correspondido, de ser motivo de riso ou apenas logo expelido. O amor é ao mesmo tempo corajoso e cobarde...

Ainda assim, o amor é em tudo o servo mais fiel. Mesmo que não tenha o ser amado nos seus braços, prefere a solidão a ter que “ficar” com quem não ama, pois compreende ser traição não apenas os gestos externos do corpo, mas também todas as posições tomadas pela alma. Assim, nunca cede aos caprichos e paixões da carne, pois, como dito, não quer trair o enamorado que ainda não o é de fato...

O verdadeiro amor não nos deixa envelhecer por dentro. Mesmo que os anos avancem impiedosamente sobre nós, marcando os nossos rostos e alterando as belas expressões da juventude, como que deixando alvos os cabelos e mais sensíveis a pele, ainda assim o nosso espírito continua a possuir o mesmo vigor e força. E este amor acumula em si tanto a almejada sabedoria dos antigos quanto a indomável vontade dos jovens!

Jamais lhe dá desespero, apesar da dor. O amor não é fruto da razão ou da emoção; é algo que transcende a imanência das pessoas e, praticamente, as faz tocar nos céus! O amor vê na face do semelhante uma centelha da glória divina e, assim, sem paganizar, venera a imagem de quem ama como se estive prostrado aos pés de um anjo!

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