terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sila Tarot: Relação entre Estado de Espirito e o Clima!



Depressão sazonal: Quando a luz é ouro

O Inverno está associado ao frio e os seus dias sombrios não abonam muito ao despertar de sensações positivas. Para muitas pessoas, é mesmo sinónimo de mal-estar que extravasa para uma forma patológica. A depressão sazonal é bem real e tende a desaparecer assim que raiam os tons primaveris, bem mais iluminados.

Afinal, a ausência de luz é a grande responsável pela depressão sazonal. Do mesmo modo que o tempo varia com as estações do ano, o ritmo circadiano dos indivíduos propensos a este tipo de depressão ressente-se. Um dos primeiros sinais de alerta são as alterações no padrão de sono (dormir demais ou ter dificuldade em dormir).
 
Mesmo dormindo mais horas, não significa descansar, na medida em que o sono, que se quer reparador, é agitado, impedindo o despertar revigorante para um novo dia. A verdade é que o despertador pode tocar, mas a vontade de sair dos cobertores é escassa, muito escassa.
 
Acordando cansado, o indivíduo resiste a levantar-se e quando o faz tende a levar a sonolência ao longo do dia, além de uma irritabilidade frequente. Os contratempos do quotidiano, por mínimos que se afigurem, assumem então importância exagerada, desencadeando stresse, angústia e uma sensação de vazio.

Equador amigo
 
As pessoas que sofrem de depressão sazonal não têm um perfil típico. Esta não escolhe sexo nem idade, nem sequer discrimina ocupações profissionais ou grupos socio-económicos. Mas as crianças também podem ser afectadas.
 
Uma das conclusões mais sólidas é a correlação positiva da doença com a distância do Equador, por causa do tempo de luz. À medida que a órbita do Sol se torna mais baixa e as horas do dia mais curtas, maior é a incidência da depressão sazonal.
 
Os investigadores associam as mudanças bioquímicas inerentes à depressão sazonal com a exposição à luz forte.
 
A melatonina - hormona que regula o sono - é segregada no escuro, enquanto a serotonina, neurotransmissor que regula o humor, a energia e o apetite, atinge o pico quando a pessoa é exposta à luz brilhante.
 
Como, durante o Inverno, o número de horas de claridade é inferior ao número de horas de escuridão, a desregulação dos ritmos diários será a responsável pela depressão sazonal.
 
Mas, atenção. A depressão sazonal não é exclusiva do Inverno, podendo manifestar-se também noutras alturas do ano, atingindo pessoas cujo ambiente é sombrio, que passam os dias em ambientes sem luz natural. Claro que a latitude nem sempre é responsável pela alteração do ritmo biológico, podendo o risco de incidência aumentar em regiões que, mesmo sendo próximas do Equador, apresentam dias nublados na maior parte do ano.
 
O que sabemos é que a luz funciona como o elo comum a estas diversas situações - assim, se a moral desce quando a luminosidade diminui, então deve ser a luz a porta de saída da depressão.
 
Esta lógica sensata tem mesmo aplicação, sendo recomendável aproveitar o melhor possível o Sol de Inverno! Abra as janelas, desfrute de um passeio ao ar livre, antecipe o despertar, prefira gozar as férias em países mais... tropicais, plenos de Sol.
 
Mas como nem sempre a luz solar vinga sobre as nuvens durante o Inverno, um dos tratamentos para a depressão sazonal passa pela fototerapia, que consiste na exposição do rosto a uma luz especial, bastante intensa e branca (usualmente uma lâmpada fluorescente especial), semelhante à luz solar e cujos raios incidem sobre a retina.
 
Dependendo das lâmpadas, a exposição deve prolongar-se de 30 minutos a duas horas, de preferência logo ao acordar, altura em que a retina está mais receptiva, já que regressa ao activo após uma noite na obscuridade.
 
Este tipo de tratamento não tem nada em comum com as lâmpadas de bronzeamento, e, por isso, não representa risco para a pele. Todavia, há determinadas situações que não permitem o recurso à fototerapia.
 
Pessoas com doenças oftalmológicas, como as cataratas ou descolamento da retina, ou que já tenham tido cancro da pele, devem evitar a fototerapia.


 
Quando o cérebro "hiberna"
 
A redução do tempo de claridade desencadeia um mecanismo no cérebro que, qual hibernação, minimiza a troca de energia com o ambiente e que pode ser sinalizado com diferentes registos.

Muito sono: as pessoas com depressão sazonal dormem habitualmente mais horas no Inverno e, apesar disso, acordam cansadas;

Mais apetite, centrado nos hidratos de carbono e "comida de plástico", com consequente ganho de peso;

Menos energia e motivação: dificuldade de concentração, fadiga, isolamento social, diminuição do impulso sexual;
 
Variações de humor: irritabilidade ou apatia, baixa auto-estima, sensação de tristeza, vazio.
 
Iluminar o dia

No tratamento da depressão sazonal, todos os caminhos vão dar à luz. E há alguns simples que funcionam como o "código postal" - são meio caminho andado:

Despertar mais cedo do que o habitual e levantar logo;

Optimizar o tempo de luz quando o tempo permite, abrir as janelas, arejar e dar um passeio;
 
Caminhar 10 a 20 minutos de manhã ajuda a elevar a temperatura do corpo e a começar o dia em forma;

Planear férias de Inverno em países com mais Sol pode resultar em fototerapia natural.

A culpa é da serotonina
 
A depressão, seja ou não sazonal, é indissociável do papel da serotonina, um neurotransmissor que tem por função enviar sinais nervosos de uma célula cerebral para outra.

A serotonina coordena tarefas fundamentais como regular os mecanismos de sono, do apetite, dos movimentos e até da produção de hormonas, além de influenciar o humor e o pensamento.

A importância da serotonina justifica que os fármacos concebidos para tratar a depressão procurem actuar selectivamente sobre o seu mecanismo.

E convém reter que há alimentos ricos em serotonina: chocolate, pão, farinha, massa e arroz.


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