sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sila Tarot: A Igreja e a Magia!

Na Idade Média (séc. V ao XV). a Igreja Católica ganhou enorme poder económico (possuindo muitas terras), poder político (grande influência na decisões políticas dos reinos), poder jurídico (interferindo na elaboração de leis) e poder social (estabelecendo padrões morais para a sociedade). As suas verdades eram incontestáveis, não permitindo quaisquer posições ou opiniões contrárias aos dogmas existentes. As sociedades neste período e as anteriores ao período Moderno, fundamentavam as suas crenças nas religiões pagãs.
 
A magia possui raízes pré-históricas (estima-se 20.000 anos de existência, vindo para o Ocidente há 4.000 a.c.), possuindo laços com cultos xamânicos. Os povos primitivos adoravam as Deusas da Fertilidade e as mulheres ocupavam posição de destaque. Eram respeitadas devido ao poder da maternidade. A fertilidade remetia à natureza e aos seus ciclos. Conheciam os poderes da natureza, das ervas, das luas. O conhecimento era transmitido oralmente de geração em geração.
 
Na Idade Média, as camponesas recorriam às ervas para curar doenças, faziam partos. Conhecidas como feiticeiras/bruxas, os seus poderes eram socialmente reconhecidos: prestavam auxílio à população, mantinham contato com os Deuses e faziam previsões do futuro, no intuito de facilitar decisões pessoais e/ou da comunidade.
 
Nesta época começam, na Europa, rumores de conspirações que visavam a destruição do Cristianismo, através da magia e de envenenamento. O pânico instala-se e aumenta devido à peste negra que dizimou parte da população(séc. XIV).
 
A Caça às Bruxas teve início no fim da Idade Média, representando uma perseguição religiosa e social.
 
Foram cerca de 50.000 vítimas (alguns autores relatam 100.000). Na metade do século XV, a caça se espalha pela Europa (Suíça, Alemanha), tendo sido iniciada por Inglaterra e França.
 
Por razões políticas, religiosas e pelo poder, a Igreja Católica e mais tarde, a Protestante, através da Inquisição, perseguiu, prendeu, torturou, enforcou e queimou em fogueiras todos os qualificados de bruxos ou hereges, como forma de salvar suas almas.

 
O Martelo das Feiticeiras ou “Malleus Maleficarum”, de 1486, vem a ser o mais famoso manual operacional de caça às bruxas e a pior página do Cristianismo. Através dele, o Tribunal do Santo Ofício aplicava as suas sentenças.
 
A mulher, antes considerada sagrada devido á sua fertilidade, passa a ser um agente de Satanás e capaz de desencadear os mais diferentes males à natureza, aos homens e aos animais. O Diabo é vinculado à magia e surge como o culpado, o responsável por tudo de mal que acontecesse, em qualquer esfera.
 
A Caça às Bruxas somou quase 5 séculos de horror, encerrando-se no séc. XVIII. Ironicamente, o seu pior período foi entre os anos de 1550 e 1650, quando o mundo via o nascimento da chamada Era da Razão.

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