sexta-feira, 1 de abril de 2016

Sila Tarot: Divórcio: O Que os Pais NUNCA Devem Fazer!


As discussões de um casal ou mesmo a separação dos pais, deveriam sempre ser algo a ser tratado apenas entre o casal em particular, jamais diante dos filhos.

Os pais desconhecem a profundidade do problema que as discussões e os conflitos entre ambos, podem gerar para os filhos quando eles presenciam, devido ao facto dos filhos se sentirem na obrigação de tomar partido de um deles, quando na verdade eles não gostariam de tomar partido de nenhum dos dois. Em muitos casos, o pai ou a mãe fazem uso da criança para chantagear o outro ou para se fazerem de vítima, por exemplo.

É comum ainda ouvir de casais, cujo relacionamento entre eles caminha de mal a pior, a importância de se manter o casamento para manter a saúde emocional dos filhos.

É mais comum ainda vermos homens que se sujeitam a uma vida de sofrimento e desamor apenas para manter o contacto diário com os filhos.

Ex-esposas, inconformadas com a separação, que se sentem inseguras pelo fim do relacionamento, magoadas por terem doado tanto no casamento e ele ter terminado, entre outros factores, ainda não sabem separar a relação homem-mulher da relação pai e filhos. Muitas ainda chantageiam o ex-marido usando os filhos, tal como não deixar que o ex-marido os veja enquanto não pagar a pensão, ou mesmo obrigar os seus filhos a visitarem o pai vestindo roupas velhas, rasgadas somente para pressionar o ex a gastar o seu dinheiro com os filhos, como se este gasto pudesse ser um empecilho para o pai não sair com uma outra mulher por exemplo, ou para que ele reconstrua a sua vida sozinho.

O problema agrava-se quando elas tem conhecimento de que o pai está a namorar: elas fazem uso dos filhos para saber detalhes da vida do pai ou mesmo da namorada e não é raro vermos ex-esposas falando mal do ex-marido aos filhos, deixando-os inseguros quanto ao afecto que o pai nutre por eles. Elas costumam dizer: “O teu pai prefere sair com aquela sujeita a sair com vocês” ou “enquanto ele gasta fortunas com a namorada a viajar, olha só o valor da pensão que ele dá para vocês” ou mesmo “hoje seria o dia de seu pai vos ver e onde ele está? Com aquela mulherzinha! E ele nem ligou para se desculpar por não ter vindo!”

Ainda é comum mulheres conceberem filhos na tentativa de preservar um casamento e que passam a não se importar mais com os filhos quando o seu casamento acaba, desprezando-os ou culpando-os pelo final do casamento.

Cito aqui o comportamento feminino mais comum de mulheres que não aceitam/admitem a separação, mulheres que foram submissas ao marido ou que agem desta forma por pura insegurança e ao se verem sozinhas, sem um homem que as proteja ou que as sustente!

É claro que há muitos casos também de mulheres que entendem que os filhos não tem culpa nenhuma da sua separação, que dialogam muito bem com os ex-maridos, inclusive tornando-se grandes amigas deles e que educam os filhos de forma conjunta com o ex-marido, mesmo a viver separados.

E como se comportam os pais separados? Eles tem o mesmo comportamento da mãe?

Em geral, os homens ainda tem dificuldade em mostrar os seus sentimentos, em conviver com os seus filhos, seja porque o convívio durante o casamento foi pequeno, seja porque evitam conviver com os filhos justamente para evitar qualquer contacto com a ex-esposa em virtude de discussões ou conflitos que continuam após a separação.

Muitos pais até gostariam de manter um contacto maior com os filhos, mas o seu trabalho e o seu tempo disponível nem sempre é compatível com o tempo disponível dos filhos, ou mesmo porque a lei os obriga a ver os filhos apenas de quinze em quinze dias, o que dificulta a construção mais efectiva dos laços afectivos entre eles ou até pela dificuldade de fazer acordos extra-judiciais com a mãe para ver os filhos noutros momentos por todos os motivos acima descritos.


É comum vermos pais que, por terem dificuldade em mostrar seu afecto ou porque se sentem culpados com a separação, satisfazerem todos os gostos dos seus filhos, tendo dificuldades em dizer não e mimando-os excessivamente, como se isso fosse minimizar o seu sentimento de culpa ou fazer com que os seus filhos gostem mais de si...

Para que o pai possa estabelecer e manter um relacionamento saudável com os seus filhos pela vida adiante, é importante que esse contacto seja de qualidade ou seja, que ele esteja presente e mantenha actividades em conjunto com os filhos: conversar, brincar, ver filmes com eles, etc... Também é importante dialogar com os filhos a respeito do seu dia a dia, como estão na escola, verificar os trabalhos de casa, saber dos amiguinhos e, porque não, promover passeios juntamente com os filhos e os amiguinhos.

No caso dos amiguinhos dos filhos terem pais separados, é interessante que todos estes pais se reúnam de vez em quando e troquem experiências entre eles e que estejam junto com os filhos. Uma idéia seria promover um churrasco, um jogo de futebol (clube dos filhos contra o clube dos pais), viagens no fim-de-semana, etc... Saliento que mais importante do que o tempo dispendido com os filhos, é a qualidade deste tempo com eles. Muitas vezes, meia hora de conversa e atenção exclusiva para os filhos é muito mais efectivo do que passar um dia todo sem ao menos conversar com eles, apenas debaixo do mesmo tecto.

Para que o desenvolvimento afectivo dos filhos seja o mais saudável possível, aqui seguem algumas dicas importantes que devem ser seguidas tanto pelo pai como pela mãe:

Coisas que os pais separados NUNCA deveriam fazer:

- Falar mal um do outro aos filhos: foi o relacionamento homem-mulher que acabou, mas o relacionamento pais e filhos vai-se manter pela vida fora. Portanto, ambos devem respeitar o papel de pai e mãe.

- Usar os filhos como espiões para saber da vida do outro: já que o relacionamento homem-mulher acabou, de que vai adiantar saber da vida do outro?

- Fazer chantagens ou usar os filhos como moeda de troca: nunca dizer que o filho só sairá com o pai quando ele depositar a pensão, por exemplo.

- Discutir na frente dos filhos: qualquer discussão entre eles deve acontecer longe deles.

- Tirar a autoridade do ex-marido ou da ex-esposa: se a mãe disse que o filho está de castigo, o pai deve manter o castigo mesmo que não concorde com ele. Se o pai disse que o filho não vai àquela determinada festa por um motivo X, a mãe deve acatar a ordem, mesmo discordando dela. Os filhos precisam desta coesão entre ambos para aprender a ter limites.


Coisas que os pais separados deveriam SEMPRE fazer:


- Ouvir os seus filhos, conversar, dialogar com eles;

- Impor limites;

- Educar os filhos conjuntamente;

- Amar os seus filhos e demonstrar, independente da situação em que se encontra o relacionamento amoroso;

- Manter um contacto frequente com os filhos.

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