sábado, 30 de julho de 2016

Sila Tarot: Qual a Sua Posição Perante a Vida?


Não deixa de ser curioso observar as diferentes reacções do ser humano frente a certos obstáculos. Ao adoecer, algumas pessoas só pensam na recuperação; outras sentem que jamais voltarão a ter saúde. Diante de uma situação de risco, os optimistas decidem enfrentá-la, pois acham que as hipóteses de sucesso são boas; os pessimistas recuam, antevendo a catástrofe. Para começar um namoro, o optimista aproxima-se de alguém que despertou o seu interesse; o pessimista evita o primeiro passo, imaginando uma rejeição inevitável.

As diferenças não ficam apenas por aí. Se de um lado, há alegria de viver, generosidade, desprendimento, do outro há certa tendência ao egoísmo e à tristeza, às vezes disfarçada de falsa euforia. O optimista está sempre cheio de planos e projectos, é inovador, contagiando com a sua esperança as pessoas que o cercam. O pessimista é mais comedido nos gastos e nos gestos, costuma ser conservador, só se interessa por coisas que já foram testadas e agradam à maioria.

Quais serão os factores que impulsionam o ser humano na direcção de um comportamento positivo ou negativo em relação à vida? Vale a pena levantar algumas hipóteses. Antes de mais nada, acredito que não se trate de um mero condicionamento ou hábito de pensar. Quer dizer, de nada adianta acordar de manhã com a disposição de mudar e de tomar atitudes positivas. Esse tipo de optimismo será falso, superficial e não levará ao sucesso almejado, senão com muito esforço, empenho e persistência. Mas a realidade é que existem pessoas com pré-disposição para serem optimistas ou pessimistas.

Tenho a impressão de que há algo de inato no nosso comportamento. Certas pessoas possuem um forte impulso vital. Portadoras de uma energia inesgotável, são movidas por um “combustível” que falta à maioria dos mortais. Nessas pessoas, a alegria de viver é transbordante e contagiante. Nada as deixa tristes e em certas situações, parecem levianas porque não dão muito peso a sofrimento algum. Esse fenómeno inato provavelmente está ligado à bioquímica das nossas células cerebrais.



Outro factor que predispõe ao optimismo ou ao pessimismo é a avaliação crítica do nosso passado. Por exemplo, se uma pessoa de 40 anos fizer uma retrospectiva da sua vida e concluir que teve progressos indiscutíveis, haverá bons motivos para o optimismo em relação ao futuro. Se pelo contrário, no momento de somar e subtrair, o saldo for negativo, o pessimismo prevalecerá. Essa auto-avaliação não abrange apenas conquistas de ordem material. O que mais interessa é o sucesso como ser humano. Conseguir dominar os impulsos agressivos, ter uma vida sentimental e sexual satisfatória, ser tolerante para com as diferenças de opinião, são condições que conduzem ao optimismo.

Finalmente, há um terceiro factor, sem dúvida o mais importante de todos, que orienta a nossa atitude. Esse factor é a coragem. Pessoas que não têm medo de ousar, tendem ao optimismo. Elas não temem o sofrimento e o fracasso. Sabem que o forte não é aquele que acerta sempre , mas aquele que corre o risco de errar e sobrevive à mais dura queda. Os seres humanos mais felizes suportam bem a dor e costumam ter uma rotina mais criativa e alegre. O seu optimismo leva ao sucesso, pois consideram eventuais derrotas como uma aprendizagem que os tornará ainda mais fortes. O oposto acontece com o pessimista. Ele fica paralisado, não por convicção, mas por medo. Não tem medo porque é pessimista. É pessimista porque tem medo. E assim vai passando pela vida, cada vez mais inseguro e acomodado...

É preciso perceber, qual o tipo de atitude que se quer ter e manter perante a vida. Se ousar e ter coragem mesmo que fracasse, ou sentir-se vazio e inútil a pensar que vai falhar, sem sequer ter tentado.


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