domingo, 11 de setembro de 2016

Sila Tarot: Divórcio – Como Preparar os Filhos para uma Nova Relação?

A família sofreu muitas mudanças nas últimas décadas. Os pais separados enfrentam um dilema no novo padrão familiar. Como lidar com a presença de dois novos integrantes: o novo namorado da mãe e a namorada do pai.

Quando um relacionamento termina, o primeiro passo, é tentar realinhar o dia-a-dia, sair, cuidar dos projectos que estavam engavetados, fazer um curso, viajar, voltar ao ginásio e a sair em busca de novos amigos.

Um belo dia descobre que os seus olhos voltaram a brilhar, a pele mais viçosa, sorrindo sem dar por isso, e então fica difícil disfarçar que a paixão está no ar...

No passado os jovens sentiam-se constrangidos no momento de trazer o namorado ou a namorada para dormir em casa da família. Hoje os pais e mães separados, enfrentam um problema idêntico. Sabem que tem o direito de reconstruir a sua vida amorosa, mas ficam desorientados, não sabem como agir. Existem pessoas que se esquecem de tudo e de todos, e mergulham de cabeça num novo relacionamento. Esquece-se até que não está sozinho, que está a entrar na relação com uma, duas, três ou mais “bagagens” da união anterior. Os filhos começam a perceber que algo está a acontecer e começam a cobrar a sua presença. Querem saber porque demorou ou começam a ligar para o telemóvel sem parar.

Neste momento, todo o cuidado é pouco, afinal é a primeira impressão que fica, certo? Os filhos espelham-se nos modelos de pai e mãe. Para fazer-se respeitar é preciso dar o exemplo. Concordo que a experiência pode ser nova, mas é preciso preservar o(s) filho(s) respeitando a sua sensibilidade e maturidade. Digo isto porque existem pais e mães que transformam os filhos pequenos em confidentes. Mal conhecem alguém e despejam a sua ansiedade contando que estão à espera de um telefonema ou que a tal pessoa é bem sucedida e poderá mudar as suas vidas. Vale a pena relembrar que nos dias de hoje, as crianças não são tão ingênuas. Elas apercebem-se que algo estranho está a acontecer. Nesta troca, geralmente, o envolvido(pai ou mãe), muitas vezes, esquece-se das pessoas que dividem com ela o quotidiano e acham normal apresentar aos filhos e familiares todos os dias um(a) novo(a) pretendente.

Os relacionamentos em série podem ter os seus encantos e novidades, mas a separação quase sempre envolve muita perda. Os sonhos, os ideais e as realizações transformam-se em frustrações. Quando depositamos muita confiança ou expectativas na pessoa que idolatramos, o risco de nos decepcionarmos é muito grande e estas decepções podem levar à ruptura do vínculo. Estamos sempre á espera que o outro satisfaça as nossas expectativas ou que compartilhem do nosso caminho e vice-versa. Quando o outro não pensa como nós, num piscar de olhos, corremos o risco de por tudo a perder. A velocidade em que se troca de parceiros e se divorcia nos dias actuais facilita a precipitação. O arrependimento tardio pode consumir o coração de quem agora necessita de ir em busca de um novo parceiro para preencher o vazio da alma.



Como e quando apresentar o novo par aos filhos?

Antes de pensar em apresentar o(a) novo(a) namorado(a) aos filhos, os pais devem fazer uma séria análise da relação. Avaliar se está com a pessoa porque gosta, porque quer e se sente bem ou porque precisa de alguém. As pessoas não se precisam, elas se completam, não por serem metades, mas por serem inteiras e estarem dispostas a dividir objectivos comuns, alegrias e a própria vida.

Levar o namorado a casa pela primeira vez requer uma série de cuidados para evitar conflitos com os filhos e outros membros da família. O primeiro contacto deve acontecer da forma mais natural possível e de preferência, depois que o namoro já estiver estável. O ideal é preparar o terreno aos poucos, com algumas brincadeiras, dando a entender que tanto o pai, como a mãe tem o direito de refazer a sua vida afectiva. Os pais não se devem anular em função dos filhos, mas no entanto, é preciso ter bom senso para descobrir o momento propício para a apresentação.

Actualmente os filhos convivem com amigos que já passaram ou estão a passar pela mesma situação, e comentam que o pai ou a mãe do amigo está a namorar. Deve-se sempre conversar com o(s) filho(s) sobre o que está a acontecer e explicar que esta pessoa não veio para substituir o pai ou a mãe. A pessoa deve ser apresentada como namorado(a) e não como amigo(a).

Mesmo com todos os cuidados é possível assistir a cenas de ciúmes, choros, malcriação ou ataques de fúria. Cabe ao pai ou á mãe resolver os conflitos e impôr os limites. Quem está a chegar deve ter bom senso de se distanciar da discussão. Geralmente, os filhos pequenos aceitam com mais facilidade os namoros, do que os adolescentes. Os pais devem evitar que os filhos pequenos chamem o novo parceiro de pai ou mãe. O correcto é orientar que chamem pelo primeiro nome

É muito importante não transformar a apresentação do novo par em tempestade. Com o passar do tempo os ânimos acalmam-se e a aceitação e convivência acontecerão naturalmente.

No começo os pais devem evitar demonstrações de muita intimidade na frente dos filhos, para que não aconteçam cenas de ciúmes, principalmente se os pais se separaram há pouco tempo.


As demonstrações de afecto e carinho devem acontecer na medida em que o relacionamento afectivo for amadurecendo e se tornando familiar às crianças. As relações sexuais devem sempre acontecer longe dos filhos. Só devem dividir a cama em casa, quando o namoro já estiver evoluído para um compromisso sério.

Um novo relacionamento modifica o quotidiano de todos os envolvidos e certamente, os acontecimentos passarão a ser: a dois, envolvendo a(s) família(s) e com os filhos. Jamais deixar de preservar momentos só para os filhos. É a melhor maneira de demonstrar afecto e tranquilizá-los, para que se sintam seguros e percebam que não perderam os espaços que lhes pertencem. É importante nesta nova relação, não esquecer os valores morais que até agora fizeram parte da educação dos filhos.

Quem está a entrar na estrutura familiar precisa de ter sensibilidade, jogo de cintura e diplomacia para perceber o seu funcionamento. Desta forma o convívio fica mais fácil e harmonioso.

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