sábado, 3 de setembro de 2016

Sila Tarot: Porque o Amor se Transforma em Amizade?

Creio que todos os casais nalgum momento da relação, já se perguntaram: Será que eu amo realmente esta pessoa, ou estou com ela apenas porque já me acostumei? Ou seja, a dúvida parece reincidir sobre os dois sentimentos que aparentemente exigem posturas diferentes: amor e amizade. Porém, creio que alguns conceitos necessitam de uma certa reflexão. Se podemos apaixonar-nos por um amigo, supomos que amizade e amor podem ter uma íntima correlação. Se podemos tornar-nos amigos de quem amamos, a afirmação continua a ser válida. Isto é, podemos acrescentar amor à amizade e amizade ao amor.

Mas porque será que em muitos casos, quando uma pessoa se questiona sobre o facto do amor se ter tornado amizade, fica a impressão de que algo se perdeu? Fica a sensação de que falta alguma coisa, de que foi subtraído da relação o mais importante? Será?

Claro que buscamos o despertar dos sentimentos peculiares, quando decidimos entregar-nos a uma relação amorosa. Paixão, excitação e palpitação, não combinam com as relações que vivemos entre amigos. Espera-se que no ‘grande encontro, haja mais do que a paz que pode ser encontrada num ombro companheiro. Espera-se que haja desejo.

Muito bem. Isso é verdade. Mas qual é o prazo de validade da paixão? Qual é a função desse fogo, que parece consumir-nos e movimentar-nos no auge do seu envolvimento? Será possível viver nesta euforia por toda a vida? Será construtivo? Diria até, será saudável?

O que quero dizer na realidade, é que a base de uma relação de amor, especialmente com o tempo, a dedicação e a construção de uma vida em comum, vai ganhando mais amizade e permitindo que se apague, de forma saudável e necessária, o fogo da paixão. E é absolutamente preciso que assim seja, acredite!

A paixão é maravilhosa, deliciosa, imperdível e desejável, mas como fogueira vai-se apagando no seu devido tempo. Fogo demais queima, magoa, dói, destrói, corrói. Fogo em minoria faz falta, deixa o frio, escuro, desconfortável. É preciso equilibrar, aceitar o ritmo, embriagar-se de labaredas, mas na medida certa... e depois, aprender a manter acesas somente as brasas.

Mas as crenças e os romances enganam-nos; deixam no ar a ilusão de que podemos estar constantemente e ininterruptamente apaixonados, ardendo, como se o amor se resumisse a isto. E assim, perdemos-nos em desejos impossíveis. Acreditamos que falta algo nas relações duradouras. Simplesmente, porque não aprendemos a apreciar a subtileza do amor. Ficamos presos e condenados à aflição que nos causa a paixão. Amor é diferente de Paixão.


E o facto é que ela acaba. Ela acaba sempre. É assim e não existe outra forma. Mas nós não aceitamos. Eterna busca por outra e outra, remetendo-nos a um vazio que nunca poderá ser preenchido, senão com a delicadeza do amor. Precisamos de nos deixar apaziguar, mais cedo ou mais tarde. Geralmente, mais tarde. Algumas vezes, muito mais tarde! Noutras, nunca, infelizmente!

Por isso, antes de pôr fim a uma relação que tem mais subtileza do que paixão, que lhe provoca mais paz do que desejo, pense bem. Não se deixe cair numa armadilha ardilosa e extremamente perigosa.

Não estou de forma alguma a subestimar a importância da paixão. Ela é necessária e imperdível. Contém em si o impulso da provocação, a coragem para a entrega. Sem isso não há início, não há motivação para o nascimento do amor. A paixão rompe a terra para deixar nascer o amor, em forma de fruto.

Desejo assim, que todos nós tenhamos a oportunidade de nos envolvermos nas chamas da paixão. Se preciso for, até arder, doer e aprender. Para depois enfim, valorizar a calmaria do amor. Afinal a paixão queima e magoa, enquanto que o amor aquece e acolhe... e que descubra e usufrua do segredo contido na relação que se torna mais parecida com amizade e menos com a angústia das paixões.


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1 comentário:

  1. O verdadeiro amor torna-se sempre amizade. Se não chegar a essa fase, não passou de uma paixão...

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