sábado, 29 de outubro de 2016

Sila Tarot: Como Superar o Desafio de Ser Mãe Solteira?

Cuidar, prover e educar não é fácil. Ainda mais sem o apoio do pai...

Depois de dar à luz uma criança, as mães ficam sempre muito sensíveis e emocionalmente frágeis, pois precisam de aprender a lidar e a cuidar de um ser muito pequeno, com quem criará laços afectivos muito fortes pelo resto da vida. A situação piora consideravelmente quando elas são mães solteiras ou enfrentam uma separação antes ou logo após a chegada do bebé. E tomar conta de uma criança, cuidar da carreira e ainda ter tempo para cuidar de si mesma, sem o apoio e a presença do pai, não é nada fácil. Como encontrar forças e manter o equilibro emocional para enfrentar o problema? Será que a criança criada só pela mãe pode ter problemas de relacionamento? Como fica a vida pessoal quando a prioridade é sustentar o filho e comandar a sua educação?

Será bastante difícil no começo. Deve-se impor limites, organizar toda a rotina. Ao mesmo tempo, é complicado descobrir que está solteira. Todos estes factores fazem com que impere a urgência de se encontrar uma identidade. As culpas não devem influenciar. Para superar as dificuldades, é preciso procurar apoio. A família é muito importante. Tanto financeiramente, como para ficarem com o bebé quando necessário.

O começo é muito difícil, pois é preciso lidar com o fim do relacionamento e a educação da criança. Apesar de ter de enfrentar tudo isto, sabemos que em primeiro lugar estará sempre vem o filho. Quando uma mulher se vê sozinha com o filho, precisa de se reorganizar. Afinal, por ela ter que arcar com as despesas da casa e também cuidar do filho, a sobrecarga de cobranças internas aumenta. Em outras palavras, com receio de não conseguirem arcar com tudo sozinhas, a mãe acaba por se impulsionar no sentido de não faltar nada ao filho e de lhe proporcionar uma boa vida. Criar uma rotina para conciliar o filho com o trabalho não é fácil, mas acabam sempre por conseguir.

A força feminina num momento como este advém do instinto de protecção, por saber que o bebé depende dela para sobreviver. "O organismo colabora para isso. A sensibilidade da mulher permite que ela ouça os menores ruídos que o bebé fizer e todos os seus sentidos ficam aguçados ao extremo. É por isso que o filho passa a ser a coisa mais importante de sua vida.

Todas as mães tem medo de não terem qualidades suficientes para o seu filho, de não cuidarem dele adequadamente, na mãe solteira, estes medos são mais presentes do que nas mães que contam com um marido/provedor, como se ele lhe desse a protecção de que ela precisa para poder cuidar bem do seu filho sem se preocupar com mais nada além dele. Do ponto de vista psicológico, a mulher pode até estar em frangalhos, mas o seu instinto não permite que ela deixe o filho à míngua: ela vê no cuidado da criança a força para seguir em frente, justamente por perceber que o filho depende dela para sobreviver. Claro que ela tem seus momentos de tristeza, mas supera-os ou pelo menos deixa-os de lado rapidamente, até pela falta de tempo para pensar nas suas mazelas. É como se nesse momento, ela fizesse uma pausa na sua vida para cuidar do bebé. E é o que vemos muitas vezes: mulheres que se anulam pelos seus filhos.

No caso do pai, uns são mais presentes, outros nem tanto. Alguns pais, infelizmente, não assumem o seu papel e ignoram a criança. Infelizmente isso existe, mas a presença do pai é também muito relativa. O pai pode estar presente e não dar nenhuma atenção ao filho. Quando a mãe está sozinha é a autoridade na educação da criança, e isso até pode trazer aspectos positivos, pois quando os dois progenitores não estão em sintonia e concordância, acabam por tirar a autoridade um ao outro. É muito comum ouvir mães relatarem que os seus ex-companheiros são óptimos pais, embora tivessem sido péssimos parceiros. E cabe à mãe jamais denegrir a imagem do pai para com os seus filhos.

O papel do pai

Antes de impor ao pai da criança a necessidade de estar presente, é necessário saber se ele está realmente disposto a conviver com o filho e a acompanhar o seu crescimento e desenvolvimento. Se o pai não quiser participar, é melhor que permaneça distante e sem contacto porque, ao estar com o filho, ele vai demonstrar a sua indiferença ou irritação por não querer estar ali, o que pode gerar problemas emocionais quando o filho se sentir rejeitado pelo pai. Mas se o pai quer participar, então deve ser constante no seu contacto, encontrar-se com o filho pessoalmente sempre que possível, saber da sua vida e acompanhar o seu desenvolvimento. Nesse sentido, a relação da mãe com o pai deve ser pelo menos, cordial, porque os ex-casais que têm conflitos nem sempre conseguem separá-los dos cuidados com o filho e muitas vezes, acabam por usar o filho como instrumento.

O problema, em geral, não está na ausência física do pai, mas na maneira como a mãe lida com esta ausência, o que pode ser fundamental na formação emocional da criança. Mães que sentem a falta do homem com quem elas se relacionaram, que não aceitam o facto de estarem separadas dele e que atribuem à separação a maioria de seus problemas actuais podem colaborar para que os seus filhos apresentem problemas.

Isso acontece porque os filhos terão na imagem do pai uma pessoa que faz a sua mãe sofrer, o que pode gerar problemas de relacionamento com a figura masculina ou mesmo dificuldade de se relacionar com o pai no futuro.

Um bom relacionamento com o ex é fundamental, mas nem todas as mulheres conseguem mantê-lo. Em suma, os filhos lidarão bem com a ausência do progenitor se a mãe souber lidar com ela também. É importante notar que os filhos aprendem a lidar com a realidade através da mãe. Portanto ela deve ter bem claro que uma coisa é a relação homem-mulher que terminou; outra, bem diferente, é a relação pai-filho, pai-mãe, que continuará pela vida fora.

Vida própria

Ser mãe sozinha tem suas dores e as suas delícias, mas na maioria das vezes é preciso forçar-se para manter os pés no chão e elevar a auto-estima. Se está a passar por isso, procure não se lamentar ou culpar ninguém, nem a si mesma, e nem pensar em atribuir à falta do pai os seus problemas. Se a situação apertar, vale mesmo a pena procurar ajuda de familiares e amigos, que podem dar um apoio em momentos de dificuldades ou simplesmente cuidar da criança quando tiver algum compromisso. Falando nisso, é fundamental ter tempo para si mesma! É importante ter amigos e uma vida social. Afinal, mais cedo ou mais tarde, o filho vai crescer e seguir o seu caminho. O que será de uma mãe que anulou toda a sua vida por causa dele?

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