sábado, 28 de janeiro de 2017

Sila Tarot: Aprender a Amar: Dar e receber!


Quem ama quer a felicidade do outro. Por isso se preocupa com o outro e não com o seu próprio bem estar. O outro transforma-se no objecto dos pensamentos, sentimentos e desejos, da sua esperança e dos seus anseios. Não só vive com ele, mas também para ele. Quer que o outro possa apoiar-se em si, fazer-lhe bem. Quem ama verdadeiramente, deseja dar tudo aquilo que não se pode comprar nem vender, pois isso é o mais valioso. Aquele que ama dá algo de si mesmo, da sua própria vida, do que está vivo em si próprio. Partilha as suas alegrias e as suas tristezas, as suas ilusões e desilusões, as suas experiências e planos para o futuro, os seus conhecimentos, os seus interesses, as suas reflexões e o seu humor, numa palavra: dá-se a si mesmo. Partilhando a sua vida com o outro, enriquece-se. Aumenta a sensação de estar vivo e torna-se mais forte. Quando alguém dá verdadeiramente, não tardará a receber. Pois a entrega de um, fomenta a generosidade do outro, satisfazendo ambos.

Na verdade, dar significa receber, não só nas relações matrimoniais, mas também em muitas outras situações. O professor aprende com os seus alunos, o desportista sente-se animado pelos espectadores, alguns psicoterapeutas são curados pelos próprios pacientes. Tudo isto é óptimo enquanto não se cai na grande tentação de se procurar a si mesmo nesta entrega. Pois até nos actos mais desinteressados, pode faltar o amor; até a bondade se pode converter em injustiça, para com a outra pessoa, e uma entrega ostensiva pode chegar a ser ofensiva. Basta pensar nas donas de casa que se matam a fazer limpezas, e depois o lançam à cara do marido.


O desprendimento é o elemento essencial do amor. Só quando se sabe abstrair de si próprio, e não se procura constantemente o elogio e o apreço por parte dos outros é que se é capaz de partilhar a vida de outra pessoa. Isto pressupõe um certo nível de amadurecimento e de independência, já que é necessário ter-se aceite a si próprio antes de poder fazê-lo com outra pessoa. Para poder aprofundar os pensamentos dos outros é preciso dispor, antes de tudo, de reflexões próprias. Tanto o homem, como a mulher têm de se tornar capazes de discorrer e fazer planos por sua conta própria. Esta independência é condição prévia para a capacidade autêntica de amor. Se eu depender de alguém por incapacidade de ser independente, essa pessoa pode ser o meu salvador, o meu ponto de apoio, o meu orgulho e o meu lar; mas a nossa relação jamais se poderá chamar amor! Enquanto não tiver as minhas próprias convicções, e os meus próprios actos forem só reacções aos actos alheios e aos seus ecos, não poderei ser um verdadeiro amigo de ninguém.

O amor só é possível na base da liberdade. Quem é livre, não se opõe a entregar-se, nem o incomoda sentir-se insignificante. Não inveja no outro, o que ele próprio talvez não tenha, e frequentemente, alegra-se se o outro for mais importante do que ele.

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