sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sila Tarot: O Gato e a Espiritualidade!

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não lida bem com o gato. Ele aparece, então como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe, e defende-se do afago.

A relação de um gato, é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um acto de entrega, de subida para o colo ou uma manifestação de afecto, é algo muito verdadeiro, que não pode nunca ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento. O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, a olhar ou a fingir não ver, ele está a comunicar códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É um passo de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, que nos devolve as perguntas medrosas espera que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado.

O gato responde sempre com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo, contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. O gato é uma lição diária de afecto verdadeiro e fiel. As suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Agitados irritam-nos. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda a natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! Lição de sono e de musculação, o gato ensina-nos todas as posições de respiração ioga.

Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a acção imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores na reserva não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) a aquecer para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de acção, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias.

Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contacto com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e sentido de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.

O gato é uma oportunidade de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem. O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia negativa do ambiente e transforma-a em boa energia, normalmente onde o gato se deita com frequência, significa que não tem boa energia - caso o animal comece a deitar-se em alguma parte do nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o animal já percebeu a energia no referido órgão e então escolhe deitar-se nesta parte do corpo, para limpar a energia que tem ali.

Observe que do mesmo modo que o gato se deita em determinado lugar, ele sai de repente, pois sente que já limpou a energia do local e esse local não precisa mais dele. O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não é necessário, ele afasta-se.

No Egipto dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada com um corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos. O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando passivo, até ao momento em que o espírito humano, se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até ao seu repouso final.                         
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