segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sila Tarot: Conhece Realmente o Seu Parceiro?

O Conhecimento do Outro...

“Amo-te por seres como és” significa: “conheço-te, reconheço a essência inconfundível do teu ser, e aceito-te tal como és”.

O amor conjugal como qualquer forma de amor, tem de ser, em primeiro lugar, amor pelo conhecimento. Só posso amar quem conheço, e se o amo, desejo aprofundar cada vez mais o conhecimento que tenho sobre ele. Por outro lado, eu também desejo que aquele que me ama a mim, me conheça cada vez melhor. É por isso que aqueles que se amam, procuram o diálogo e a presença da pessoa amada, de uma maneira cada vez mais intensa. O que a Bíblia diz de “conhecimento” ao referir-se à união sexual, tem um sentido profundo.

Conhecemos o outro – e não o conhecemos, pois cada pessoa é um mistério inexplicável, insondável. Quanto mais nos metermos nas profundezas da nossa própria personalidade ou na de outra pessoa, mais obscuro se torna para nós aquilo que desejamos captar. Apesar disto, o amor conserva vivo o desejo de penetrar no mais íntimo do outro. E só ele nos pode revelar, sequer um pouco, como é realmente a outra pessoa.

O amor verdadeiro faz ver, não cega. Se amo alguém, apercebo-me por exemplo, se se aborrece, apesar de tentar disfarçá-lo. Verei ainda e compreenderei que o outro tem medo ou se sente culpado. O seu aborrecimento é só uma expressão do seu descontentamento. Vejo, então, a sua perturbação e sofrimento e não o seu aborrecimento.

Nos primeiros tempos de um casamento, o verdadeiro conhecimento do outro e a antecipação do seu futuro desenvolvimento, só é possível de uma maneira muito deficiente. Para isso é necessária uma convivência de anos. O conhecimento adquirido com o tempo pode ser doloroso, mas também libertador: talvez o outro não corresponda às primeiras impressões, expectativas, ao ideal sonhado; vejo cada vez mais claramente as suas limitação e fraquezas, as falhas e as imperfeições. Mas quanto mais me afastar do meu ideal sonhado, mais profundamente perceberei que o outro é único. (Cada pessoa é uma pessoa; os produtos da fantasia, pelo contrário, são extremamente estereotipados. Um exemplo patente, são os romances cor-de-rosa).

Posso aperceber-me de que o outro é diferente de todos os que existiram antes e existirão depois. Com o tempo, chegarei a conhecer também as suas possibilidades mais recônditas. Conheço-o, não só pelo que é, mas também pelo que pode e deve ser, como poderia ser a sua perfeição e a sua autêntica auto-realização. Vou vivendo cada vez melhor, como Deus o quer ver realizado desde a eternidade e para a eternidade. Por isso, o céu é em certo sentido, uma parte de todo o autêntico amor . O céu dever-se-á compreender aqui, como aquele lugar onde tudo atingiu a sua perfeição. Quanto mais amo uma pessoa, mais profundamente consigo penetrar no seu ser e aperceber-me da sua máxima perfeição. Por isso, o amor, poderíamos dizer em certo sentido, é uma antecipação do Céu.

Naturalmente, o conhecimento da outra pessoa não deve afastar-nos da realidade, pelo contrário, agarrarmos-nos mais fortemente a ela. Quanto mais conhecer o outro por aquilo que é e pelo que deve ser, mais deve crescer o meu amor por ele.

Se assim não for, este conhecimento esfumar-se-á e ficará somente a desilusão e a resignação produzida pela recordação de uma ilusão. Pelo contrário, quanto mais crescer o meu amor, mais desejarei que o outro seja o melhor e o mais perfeito possível, em suma, que se realize o máximo; e assim estarei preparado para o ajudar a alcançá-lo. Vejo com uma clareza cada vez maior, como a minha auto-realização pessoal consiste em ajudar o outro a realizar-se.


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