sexta-feira, 5 de maio de 2017

Sila Tarot: Qual a Origem da Bruxaria?



A Bruxaria, é hoje um ofício que se utiliza da magia natural (= magia da natureza) para obter fins específicos. Existem diversas formas de práticas e variadas ramificações dentro do que chamamos de Bruxaria, por isso torna-se extremamente complicado criar uma definição generalizada, mas vamos tentar estabelecer algumas directrizes.
A Natureza é o divino. Não se cultua num único Deus, uma única Deusa, ou obrigatoriamente qualquer Divindade. Trata-se de uma celebração da Natureza e dos seus ciclos.

A Bruxaria é pagã. Quando dizemos pagão, estamos a remeter-nos à origem do termo, que vem do latim paganus. Paganus significa “morador do campo” ou “aquele que vive do campo”. Esse foi o termo usado pela Igreja Católica para classificar os povos que moravam no campo e celebravam as colheitas e os ciclos do Sol e da Lua, que não moravam nas cidades e não eram cristãos.



Vale a pena relembrar que tais pessoas dependiam essencialmente da natureza para sobreviver. Assim, para eles era comum festejar uma colheita que vinha farta e trazia comida para todo o inverno, pois isso significava a vida. Esses povos não eram católicos nem cristãos, não por se oporem a essas religiões, mas por as suas crenças serem milhares de anos mais antigas. Eram as crenças apenas deles, e diferiam das crenças cristãs assim como o Budismo ou o Hinduísmo diferem. Para eles, a magia era real. Era a crença de que se não fizessem determinado ritual, o sol não nasceria ou eles não conseguiriam caçar, por exemplo.

O termo “bruxaria” foi usado para chamar ás pessoas que lidavam com o que se chamava de “magia malévola” antigamente, por o paganismo estar em contradição com a Igreja católica e o Cristianismo. Por isso, tudo o que era pagão, era bruxaria, e tudo o que era bruxaria era malévolo, pois não seguia a linha católica.


O desconhecido ou diferente, sempre causou medo ao longo dos séculos, mesmo com a evolução cultural e social. Até hoje é usado pejorativamente para definir qualquer ato contra a Igreja Católica ou feitiços realizados aleatoriamente. Como se pode concluir, não se trata disso. Bruxaria é outra coisa e seus praticantes levam-na muito a sério. A Bruxaria nada tem de malévolo e não deve ser feita para prejudicar ninguém.

O Paganismo seria então, o modo de viver dos povos pagãos, lembrando que usamos o termo pagão para classificar toda e qualquer pessoa que celebre a Natureza e os seus ciclos. A Bruxaria é apenas uma das inúmeras vertentes pagãs e nada tem de maldade, como configurado pela inquisição e cuja ideia tem sobrevivido até aos dias de hoje. Temos também o Druidismo, o Xamanismo etc.


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Como se desenvolveu a Bruxaria?

A Bruxaria desenvolveu-se em diversas culturas e diversas épocas ao redor do mundo.

Temos desde a Feitiçaria na “Pré-História” (quando os homens desenhavam o animal nas cavernas achando que assim capturariam-lhe a alma antes da caçada e as mulheres maceravam ervas buscando a cura), passando pela Bruxaria e Feitiçaria na História Antiga, a Bruxaria Medieval, a Bruxaria nas sombras durante o Iluminismo e o renascimento da Bruxaria, no século XX. Como podem ver, é uma longa história. Nunca existiu algo unificado, no entanto a história de que a Bruxaria é uma antiga religião que sobreviveu à Inquisição etc., já foi revelada por historiadores. Por isso, podemos falar do que é a Bruxaria hoje e identificar crenças, cultos e práticas similares ao longo da história da humanidade.

O nascimento da Bruxaria Moderna através da Wicca.

O nascimento da Bruxaria Moderna deu-se na década de 1950, através de um bruxo inglês chamado Gerald Gardner. Na verdade, já existiam livros com algumas décadas de antecedência que abordavam o assunto, porém Gardner foi a cara que mostrou a Bruxaria ao mundo, e como ela tinha evoluído até então, de acordo com as suas crenças.

A maneira pela qual Gardner apresentou a Bruxaria, ficou conhecida como Wicca, que se tornou o sinónimo da Bruxaria Moderna. A Wicca é apenas uma forma de Bruxaria Moderna; talvez a mais popular e mais recente, embora advinda de antigos conceitos. Há outras formas de bruxaria.


A partir daí, a Bruxaria foi ficando popular e tendo cada vez mais adeptos, especialmente porque as pessoas viam nela uma forma de religiosidade totalmente diferente das religiões convencionais. Não que seja melhor ou pior, é apenas uma forma alternativa de religião/filosofia, modo de estar perante a vida.

O coven (grupo de bruxas/os) de Gardner ramificou-se e, aos poucos, os praticantes foram-se multiplicando. Era normal que surgissem novas tradições. A primeira tradição a surgir depois da Wicca Gardneriana foi a Tradição Alexandrina. Os rituais e liturgia eram semelhantes à gardneriana, com poucas diferenças nas suas características.

Então veio a década de 60 e o movimento hippie, com as pessoas a descobrir formas alternativas de viver, buscando uma interiorização maior e menor hipocrisia perante a sociedade e em si mesmos. A década de 70 trouxe o movimento feminista arrebatador, e a história da Wicca modificar-se-ia para sempre…


Estes dois movimentos foram fundamentais para o desenvolvimento da Wicca nos anos seguintes, pois a partir daí vemos claramente uma divisão entre a Wicca de Gardner (gardneriana) e a Wicca misturada com o feminismo, o movimento hippie (new age) e algumas liberdades atribuídas à religião. Com o passar dos anos e a chegada da era da informação, tivemos (e ainda temos) uma série de influências chegando às práticas de Bruxaria atuais, e elas variam muito de pessoa para pessoa, visto que a Bruxaria pode ser praticada por uma pessoa sozinha.

Resumindo: A Bruxaria não é uma religião, mas um ofício, um conjunto de crenças pagãs. A Wicca, no entanto, aparece como a religião da Bruxaria, com rituais, divindades, dogmas e tudo o mais a que uma religião tem direito. A Wicca surgiu com Gardner, porém, aos poucos, foi sendo modificada de acordo com as necessidades de seus praticantes, ou de quem queria ser praticante. Temos distintamente, duas vertentes da Wicca: a Wicca Tradicional (gardneriana e alexandrina) e a Wicca Moderna (qualquer outra vertente que venha depois das duas citadas anteriormente). Ambas, apesar de serem Wicca, são bastante diferentes umas das outras; porém, a essência é a mesma. O que muda é a forma de praticar.


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